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Portugal ainda não tem rastreios organizados para o cancro do estômago

Portugal ainda não tem rastreios organizados para o cancro do estômago

Os rastreios organizados para o cancro do estômago ainda não são uma realidade em Portugal, o que é um entrave para o diagnóstico em fases iniciais da doença e para a diminuição da mortalidade. Portugal é o país da Europa com maior incidência de cancro do estômago e com maior taxa de mortalidade, provocando cerca de 2300 mortes por ano.

Carla Freitas, cirurgiã coordenadora da unidade de patologia Esófago-gástrica do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, considera que os rastreios organizados para o cancro do estômago, um dos tumores do aparelho digestivo, são "um caminho que tem de ser seguido em Portugal". O cancro do estômago é um dos mais frequentes em Portugal e um dos mais mortais a nível mundial.

Esta sexta-feira assinala-se o Dia Mundial do Cancro Digestivo e, por isso, Carla Freitas alerta para a importância da deteção do tumor no estômago o mais cedo possível para que seja possível diminuir o risco de morte. O cancro é muitas vezes detetado em fases avançadas, devido à dificuldade de identificação dos sintomas, que, por norma, não surgem em fases iniciais. Apesar de serem vagos, os sintomas podem ser vómitos, indisposição, dor no abdómen, azia e perda de apetite.

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Carla Freitas foi também pioneira na realização de uma cirurgia minimamente invasiva no cancro do estômago em Portugal, intervenção que já era conhecida e realizada noutras patologias, mas que começou a ser utilizada para tratar este tumor em 2006 no país. Este tipo de cirurgia é semelhante à técnica clássica, a única diferença neste procedimento é que é feita através de uma laparoscopia, ou seja, de pequenas incisões.

A médica afirma que esta intervenção resulta em vantagens pós-operatórias que o procedimento tradicional não permite: o doente tem menos dificuldades respiratórias, menos dor, o seu intestino volta a funcionar normalmente rapidamente, consegue mais cedo sair da cama e andar sozinho. Ou seja, o doente recupera muito mais rápido e está menos tempo internado, o que ainda reduz riscos de infeções. A longo prazo, está provado que as vantagens são exatamente as mesmas. Carla Freitas considera que "qualquer centro hospitalar que tenha meios técnicos e recursos humanos treinados deve optar por esta abordagem".

Este tipo de cancro é provocado essencialmente pelo consumo de tabaco, álcool, sal, fumados, excesso de peso e pode ainda ter uma componente genética. Este tumor tem mais incidência na região norte do país devido às condições socioeconómicas da população e ao consumo mais abundante de fumados.

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