COP25

Portugal caiu oito posições no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas

Portugal caiu oito posições no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas

Portugal caiu oito posições no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, estando na 25.ª posição. "É a pior classificação de sempre", aponta a associação ambientalista Quercus.

A associação ambientalista Quercus apela para que Portugal torne rapidamente realidade nacional a ambição em termos de política climática que tem manifestado internacionalmente.

"Não basta ambicionar para conseguir resultados, é preciso tomar medidas concretas e corajosas que podem ser pouco apreciadas no início, mas que contribuirão, num futuro próximo, para a descarbonização, independência energética, sustentabilidade ambiental e financeira do país", diz a Quercus em comunicado.

A posição surge a propósito da divulgação, esta terça-feira, na cimeira sobre o clima que decorre em Madrid, do chamado "Climate Change Performance Index 2020" (CPI) ou Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, que avaliou 57 países e a União Europeia (UE), que no total são responsáveis por mais de 90% das emissões de gases de efeito de estufa.

Portugal caiu oito posições, estando agora na 25.ª e passando de uma posição alta para uma posição média. No entanto, Portugal é o melhor classificado nas políticas climáticas.

A avaliação é da responsabilidade da associação de defesa do ambiente alemã Germanwatch, do NewClimate Institute e da Rede Europeia para a Ação Climática.

A Quercus nota, no comunicado, que embora a posição corresponda ao 22.º lugar, porque os primeiros três lugares do pódio permanecem vazios por ainda nenhum país se encontrar num caminho compatível com as metas do Acordo de Paris, "esta é a pior classificação de sempre" para o país.

Na análise, outra organização ambientalista, a Zero, nota que a queda na lista foi amplificada pelos efeitos das alterações climáticas (incêndios e secas). E salienta que, comparativamente com Espanha, o país está nove lugares acima (Espanha na posição 34).

"A revisão recentemente operada da política florestal é considerada um elemento fundamental para o futuro, mas ainda uma incógnita no que respeita aos resultados efetivos. Os especialistas elogiam Portugal por defender ações climáticas ambiciosas, a nível nacional e da União Europeia no que respeita às metas de 2030 e 2050. A intenção de Portugal continuar a viabilizar o início da exploração de gás natural na região de Leiria é um aspeto negativo infelizmente ainda a ser considerado", diz a Zero em comunicado.

Lembrando que os países com pior classificação são os Estados Unidos, a Arábia Saudita e a Austrália, a Zero diz que a avaliação mostra que os grandes poluidores climáticos "dificilmente fazem alguma coisa pela mudança transformacional necessária para reduções profundas de emissões para evitar alterações climáticas potencialmente irreversíveis".

A nível global, o documento refere que o consumo de carvão está a decrescer e que continuam a aumentar as energias renováveis.

A União Europeia, enquanto bloco de países (representa 9% das emissões globais), desceu seis posições desde o ano passado. No comunicado, a Quercus diz que "é crucial a implementação de uma estratégia de longo prazo para alcançar a neutralidade climática até 2050", e nota que embora a maioria dos países classificados com desempenho elevado pertençam à UE (oito), há outros oito com desempenho baixo e dois muito baixo (Bulgária e Polónia).

O Índice de Desempenho das Alterações Climáticas pretende colocar pressão política e social sobre os países que não tomaram medidas ambiciosas para proteção climática e destacar os que têm melhores práticas.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG