OCDE

Portugal com a mais alta taxa de infeções hospitalares

Portugal com a mais alta taxa de infeções hospitalares

Em 24 países da OCDE, Portugal tem a pior percentagem de infeções hospitalares. Nos cuidados continuados, o problema é idêntico.

As infeções associadas a cuidados de saúde roubam milhões de vidas por ano e têm custos exorbitantes nos sistemas de saúde.

Num relatório divulgado há cerca de um ano, a OCDE alertava que, até 2050, quase 50 mil pessoas deverão morrer em Portugal por infeções hospitalares.

E, agora, os dados apontam no mesmo sentido: Portugal está entre os países com piores indicadores em termos de infeções associadas a cuidados de saúde, quer nos cuidados hospitalares, quer nos cuidados continuados, revela o relatório da OCDE "Health at a Glance 2019", apresentado, esta manhã de quinta-feira, em Paris.

Entre 2015 e 2017, 8,1% dos doentes internados em hospitais desenvolveram pelo menos uma infeção associada aos cuidados de saúde, quase o dobro da média dos países da OCDE (4,9%). Igualmente preocupante é que, dessas infeções, 38% das bactérias isoladas eram resistentes a antibióticos, como indica o estudo.

Portugal, Grécia e Islândia são os países pior posicionados, com taxas superiores a 7%, enquando na outra ponta estão a Lituânia, a Letónia e a Alemanha, com menos de 3%.

Nas unidades de cuidados continuados nacionais, o problema é semelhante. No período 2016-2017, em Portugal 5,9% dos doentes em cuidados continuados registaram pelo menos uma infeção associada aos cuidados de saúde, um valor acima da média da OCDE (3,8%).

Abaixo da média da OCDE aparecem países como a Lituânia, Hungria, Suécia, Alemanha e Luxemburgo (com menos de 2%), enquanto as percentagens mais elevadas se registam na Dinamarca, Portugal, Grécia e Espanha (acima de 5%).

O impacto das infeções associadas aos cuidados de saúde é agravado pelo aumento de bactérias resistentes a antibióticos, o que pode levar a infeções difíceis ou mesmo impossíveis de tratar, alerta a OCDE.

Segundo o relatório, o isolamento de bactérias resistentes a antibióticos em doentes de cuidados continuados em Portugal também apresenta as percentagens mais elevadas dos países analisados, com 46,2%, quase o dobro da média da OCDE (26,3%).

Globalmente, "em média, mais de um quarto das bactérias isoladas eram resistentes a antibióticos. Isso é quase equivalente aos níveis observados em hospitais de cuidados intensivos, onde a resistência a antibióticos é considerada uma grande ameaça", refere o documento.

A OCDE avisa que, à medida que a população dos países envelhece, um número crescente de pessoas vai precisar do apoio de serviços de cuidados continuados e defende que "providenciar atendimento seguro a esses pacientes é um desafio fundamental para os sistemas de saúde".

"Os pacientes em unidades de cuidados continuados são mais frágeis e mais doentes e apresentam vários outros fatores de risco para o desenvolvimento de ocorrências que põem em causa a sua segurança, incluindo infeções associadas aos cuidados de saúde e úlceras de pressão", refere o documento.

Alta taxa de úlceras de pressão

Os dados mostram ainda que, quanto ao aparecimento de úlceras de pressão (por exemplo, escaras) nestes doentes, Portugal também está numa má posição, com 13,1%, um valor que representa mais do dobro da média da OCDE (5,3%).

As úlceras por pressão podem levar a complicações, incluindo infeções, e custam até 170 euros/dia por doente em cuidados continuados, segundo a organização.

Na OCDE, uma média de 10,8% das pessoas com 65 anos ou mais precisou de cuidados continuados em 2017, que representam um aumento de 5% em relação a 2007.

Mais de uma em cada cinco pessoas com 65 anos ou mais recebeu cuidados de saúde continuados na Suíça (22%) e em Israel (20%), em comparação com menos de 5% na Eslováquia (4%), Canadá (4%), Irlanda (3%), Portugal (2%) e Polónia (1%).

A OCDE lembra ainda que muitas pessoas que precisam de cuidados continuados preferem tê-los nas suas casas o maior tempo possível e que, como resposta a estas opções e aos altos custos das unidades de cuidados continuados, diversos países desenvolveram serviços domiciliários deste género.

Entre 2007 e 2017, a proporção de pessoas em cuidados continuados domiciliários cresceu de 64% para 68%, com os aumentos a serem maiores em Portugal, Austrália, Suécia, Alemanha e Estados Unidos.