Terrorismo

Portugal deve reforçar segurança por causa de imitações do massacre na Noruega

Portugal deve reforçar segurança por causa de imitações do massacre na Noruega

O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo considera que os atentados na Noruega deverão levar a um aumento da vigilância também em Portugal devido ao perigo de imitações.

"Pode haver imitações - as chamadas copycats - e portanto é conveniente ter em atenção, apesar de megalómanas, as declarações" do autor dos atentados na Noruega, explicou José Manuel Anes à Agência Lusa.

Num documento com mais de 1500 páginas, o presumível autor dos atentados que causaram a morte de 93 pessoas, aponta vários alvos de outros ataques para derrubar o multiculturalismo na Europa, entre os quais o reactor nuclear experimental na Bobadela e as refinarias da Galp no Porto e em Sines.

Apesar de sublinhar que o documento escrito pelo suspeito dos atentados, Anders Breivik Behring, é "algo de megalómano", o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) considera que os níveis de segurança devem aumentar nos próximos tempos.

"A segurança nesses alvos já existe porque é um conjunto de infraestruturas críticas que estão referenciadas pelo conselho de segurança nacional", afirmou.

No entanto, referiu, "pode efectivamente haver um pequeno reforço" da vigilância porque "perante um ato destes, que é uma coisa horrorosa e bárbara, há indivíduos que acham muito bem e têm tendência a imitar".

Por isso, as autoridades vão "reforçar a vigilância sobretudo em relação a sites, blogues, Facebook e tudo isso porque é aí que se podem antever alguns acontecimentos", avançou.

O reforço deve ser feito em "cooperação internacional das polícias" e para o qual "os serviços de informação são decisiva", adiantou José Manuel Anes, explicando que essa cooperação não deve ser feita só a nível europeu mas também com os Estados Unidos já que o alegado autor dos atentados "participava em grupos de discussão com alguns grupos extremistas de direita norte-americanos".

Para o presidente do OSCOT, uma das questões preocupantes neste caso é o facto de o alegado autor dos atentados assumir-se como templário.

"Há um pequeno conjunto de neo-templários americanos que tem dito que é preciso passar à acção e pegar em armas contra a 'jihad' silenciosa, isto é, a imigração. E é neste universo que ele se tem movimentado", sublinhou José Manuel Anes.

"Penso que o tanto o FBI como as polícias europeias, sobretudo a inglesa e a alemã, já estão há muito tempo atentas mas agora deve haver uma cooperação internacional para se detectar alguma movimentação mais perigosa", concluiu.

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