OCDE

Portugal é dos países com mais recém-nascidos de baixo peso

Portugal é dos países com mais recém-nascidos de baixo peso

Portugal está entre os países da OCDE com maior percentagem de bebés de baixo peso à nascença. Quase 9% dos recém-nascidos no país pesam menos de dois quilos e meio, um aumento de 25% desde o ano 2000.

Segundo o relatório Health at a Glance 2019, apresentado esta manhã de quinta-feira em Paris, em Portugal 8,9% dos bebés nasceram com baixo peso em 2017. É o terceiro país da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) com maior prevalência de bebés de baixo peso, ficando apenas atrás do Japão e da Grécia. A média dos países da OCDE é de 6,5%.

"Apesar dos progressos na redução da mortalidade infantil, o aumento das crianças com baixo peso à nascença é uma preocupação em alguns países da OCDE", lê-se no relatório, que adianta que, em média, um em cada 15 bebés (6,5%) nasce com peso inferior a 2,5 quilogramas nos países que compõem a organização.

Uma preocupação que já chegou ao Ministério da Saúde. Na semana passada, o secretário de Estado da Saúde, António Sales, na tomada de posse da bastonária da Ordem dos Nutricionistas, abordou a questão e prometeu empenhar-se no problema, com o "acompanhamento da grávida, desde a nutrição a outros fatores de risco".

As crianças com baixo peso à nascença têm mais risco de problemas de saúde e de morte, requerem um período de internamento hospitalar maior após o nascimento e são mais suscetíveis de desenvolver doenças na vida adulta.

O tabagismo, o consumo de álcool e uma má alimentação durante a gravidez são fatores de risco para a prematuridade e o nascimento de bebés de baixo peso. As mulheres com índice de massa corporal baixo, com estatuto sócio - económico baixo, as que fazem tratamentos de fertilidade e têm múltiplas gestações, bem como as que engravidam em idade tardia apresentam maior risco de ter bebés de baixo peso à nascença, refere o Health at a Glance 2019.

Para os autores do relatório, outra explicação para a subida dos números de bebés de baixo peso, é a cada vez mais usual "gestão dos partos", feita nas unidades de saúde, com a indução do trabalho de parto e as cesarianas programadas.

"Japão, Grécia e Portugal têm a maior percentagem de bebés com baixo peso à nascença entre os países da OCDE. Há poucos nascimentos de baixo peso nos países nórdicos (Islândia, Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca) e bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia). Em 23 dos 36 países da OCDE, a proporção de nascimentos de baixo peso aumentou desde 2000", indica o estudo anual da OCDE que faz o retrato dos indicadores de saúde nos vários países, dos cuidados prestados e das necessidades mais evidentes.

Num quadro anexo aos gráficos sobre os nascimentos de baixo peso, é possível constatar que, no ano 2000, a taxa de bebés com baixo peso em Portugal era de 7,1%, tendo aumentado 25% até 2017 (8,9%).