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Portugal esgotou esta quinta-feira recursos ambientais que deviam durar um ano

Portugal esgotou esta quinta-feira recursos ambientais que deviam durar um ano

O país entrou em "crédito ambiental" e passa a utilizar recursos que só deveriam começar a ser usados a partir de 1 de janeiro de 2022. No ano passado, o limite ambiental só foi atingido no final do mês, a 25 de maio.

Portugal encerrou hoje a área produtiva que tinha disponível para regenerar recursos naturais. Tal área, que deveria durar para o ano inteiro, esgotou-se 12 dias antes do limite anterior e gera preocupações.

"Se cada pessoa no Planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria mais de 2 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos." critica a associação ambientalista Zero.

A ativista, Susana Fonseca disse à agência Lusa que mesmo Portugal "não sendo obviamente o primeiro país do mundo que atinge este limite" agora este valor atinge-se "muito antes de meados do ano".

A pandemia ainda não foi contabilizada de forma clara nos cálculos de utilização dos recursos, mas entende-se que este momento não deve afetar de modo duradouro os efeitos da pegada ecológica portuguesa.

O problema da pegada ecológica nacional vem de diversos fatores que passam pela alimentação, transportes e práticas do consumo excessivo.

Um estudo feito pela Universidade de Aveiro (UA) no ano passado afirma que a alimentação dos portugueses pesa 30% na pegada ecológica, o que deixa esse setor acima dos transportes e do consumo de energia e coloca Portugal como o país mediterrânico com a maior pegada alimentar per capita.

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A alimentação é um fator preocupante pois já a muitos anos que não conseguimos fornecer para a nossa própria população o necessário para consumir e por isso temos de ir buscar a outros lugares. O mesmo estudo da UA mostra que, por não ter as capacidades necessárias, o país entra então numa relação de dependência com outros. Outro problema encontrado é que o país também produz 1 milhão de toneladas de desperdício alimentar.

A Zero acredita que "Portugal tem uma oportunidade única de aproveitar o Programa de Recuperação e Resiliência, a par com fundos de apoio europeus" e usá-los para fazer algumas transformações nas políticas ambientalistas.

Algumas práticas como reduzir o consumo de proteína animal, utilizar métodos de transporte mais sustentáveis que não prejudiquem tanto o ambiente e consumir de forma mais consciente são formas simples e individuais de melhorar a pegada ambiental do país, de acordo com a associação.

Para as práticas políticas a Zero recomenda: apostar numa agricultura de soberania alimentar, promover o uso das tecnologias e reduzir deslocações, investir num significativo aumento da utilização de modos suaves de transporte e por fim regulamentar para que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis.

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