Saúde

Portugal está preparado para coronavírus, garante Governo

Portugal está preparado para coronavírus, garante Governo

O ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu, esta quarta-feira, que Portugal está preparado para uma eventual "entrada" do coronavírus no país, com um plano de contingência pronto a ser ativado.

Escusando-se a comentar as declarações feitas na terça-feira por Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou que o Covid-19 pode transformar-se num "problema europeu", o ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou que o novo coronavírus "já é um problema global", que só pode ser enfrentado com ações concertadas.

A Organização Mundial de Saúde "está a coordenar um esforço interno muito importante, quer de apoio aos países que mais têm sofrido com esta epidemia, a começar pela República Popular da China, quer na concertação das ações que tomamos para permitir o estancamento, primeiro, e depois a redução e eliminação" da epidemia, disse Augusto Santos Silva, à saída de uma comissão parlamentar sobre assuntos europeus.

O governante também sublinhou a cooperação entre países europeus, referindo as reuniões semanais para controlo feitas pelos Estados-membros da União Europeia desde esta quarta-feira, e não descartou a eventual necessidade de encerrar fronteiras. "Vivemos num espaço europeu em que uma das grandes riquezas é ser um mercado único e um espaço de livre circulação", mas "evidentemente, esse espaço de livre circulação tem de ser compatível com medidas técnicas que sejam necessárias para evitar a transmissão de doença", afirmou.

Lembrando que o controlo de fronteiras não é uma responsabilidade do seu ministério, Santos Silva adiantou que é preciso agir "com cautela" e adaptar "as medidas à evolução do conhecimento que vamos tendo, às sugestões que fazem as pessoas que têm capacidade técnica para lidar com estes fenómenos e também em função da coordenação com os parceiros europeus"

"O que faz sentido é que a decisão seja articulada", reforçou, explicando a vontade expressa por alguns países de fechar fronteiras só seria incompatível com as regras europeias se fossem decisões unilaterais. "Nós beneficiaremos se a nossa decisão for concertada e é nesse trabalho de concertação que estamos empenhados ao nível europeu", concluiu.

O balanço provisório da epidemia é de pelo menos 2763 mortose cerca de81 mil infetados, de acordo com dados reportados por mais de 40 países e territórios. Além da China, onde o surto começou no final do ano passado, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França e Taiwan. A Organização Mundial de Saúde declarou o surto como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional e alertou para uma eventual pandemia, após um aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão nos últimos dias. Em Portugal, já houve 18 casos suspeitos, que resultaram negativos após análises.

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