Covid-19

Está em marcha pedido de ajuda internacional para combater a covid

Está em marcha pedido de ajuda internacional para combater a covid

Embora não seja oficial, o presidente da Associação Portuguesa de Médicos Intensivistas confirmou que "o pedido de ajuda já começou". Portugal terá pedido enfermeiros, médicos intensivistas, equipamentos e vagas em hospitais a dois países europeus. "É natural que o pedido de ajuda já tenha sido feito", reconheceu Lacerda Sales.

Portugal pretende reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) nos cuidados aos doentes com covid-19 recorrendo à ajuda internacional, tanto no que diz respeito a recursos humanos como em vagas hospitalares. Segundo avança esta quarta-feira o Expresso, o Governo iniciou conversações com dois países europeus, no passado domingo, com vista à formalização de acordos de colaboração.

O mesmo jornal esclarece que o país está a pedir "profissionais para reforçar as equipas de enfermagem e de médicos intensivistas, equipamentos onde se verificam falhas pontuais, como seringas e ventiladores não invasivos, e vagas hospitalares para transferir doentes para fora do país". De referir que poderão ser transferidos não só pacientes em estado crítico (em unidades de cuidados intensivos) mas também doentes em enfermaria.

Neste momento, tal como referiu há dias a ministra da Saúde, Marta Temido, a escassez de profissionais de saúde é o grande problema no combate à pandemia, havendo inclusivamente camas por abrir no privado pelo facto de não existirem equipas suficientes. "Temos camas disponíveis, o que muito dificilmente conseguimos ainda gerir são os recursos humanos", admitiu.

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O Expresso adianta ainda que um dos países foi escolhido pela Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos e outro por Temido.

Questionado, esta quarta-feira de manhã, em relação à informação avançada, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou que "é natural que o pedido de ajuda já tenha sido feito, em materiais e recursos humanos".

Apesar de não o confirmar objetivamente, sublinhou ainda que estes mecanismos de cooperação internacional já foram utilizados por outros países e que Portugal não hesitará em fazê-lo quando considerar necessário.

Ao JN, o gabinete da ministra da Saúde, Marta Temido, não excluiu o pedido de ajuda internacional, afirmando que "todas as hipóteses estão a ser consideradas no sentido de continuar a assegurar os cuidados de saúde aos portugueses". Para o Governo, "os mecanismos de cooperação europeia são obviamente uma possibilidade, em função da evolução que se vier a verificar".

Já esta terça-feira, o jornal "La Voz de Galicia" anunciou que Portugal pretende transferir doentes de UCI de Viana do Castelo para o Hospital de Vigo. Questionado pelo jornal espanhol, o Ministério da Saúde disse apenas que estão a ser estudadas "todas as possibilidades para garantir cuidados de saúde a todos os portugueses".

Mas a intenção foi negada Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), que descartou esta quarta-feira essa possibilidade. Segundo comunicado divulgado esta manhã, o hospital de Viana do Castelo mantém ainda capacidade para acolher infetados.

"Tendo vindo a público uma notícia sobre a possibilidade de transferência de doentes do Hospital de Viana do Castelo para Vigo, o Conselho de Administração esclarece que não tem conhecimento oficial da situação relatada", informa a ULSAM, referindo que "até ao momento a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (Hospital de Santa Luzia) tem sido capaz de responder às necessidades de cuidados intensivos dos doentes críticos, não tendo sido necessário transferir doentes que exigem este nível de cuidados".

O Governo Regional da Galiza, contactado pelo JN, disse saber de uma possível transferência de doentes apenas pelos jornais, já que não foi contactado pelo Governo português ou espanhol. O Governo da Estremadura, região fronteiriça com Portugal, disse não ter conhecimento de qualquer transferência.

"Situação não permite esperar mais"

Ainda assim, o presidente da Associação de Médicos Intensivistas, João Gouveia, confirmou que, segundo sabe, "o pedido de ajuda já começou". "Embora não seja oficial, sei que sim", reconheceu, defendendo que a situação portuguesa "não permite esperar mais".

"O lógico é que a transferência de pacientes seja feita por via rodoviária entre hospitais que estão próximos da fronteira", acrescentou João Gouveia. "De Viana do Castelo vão seguramente para Vigo, de Bragança para Zamora e no Alentejo, consoante estejam internados em Portalegre, Évora ou Beja, Badajoz ou Sevilha", concluiu.

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