Pobreza

Portugal longe de ser uma Economia do Bem-Estar

Portugal longe de ser uma Economia do Bem-Estar

Relatório lançado esta segunda-feira pela ZERO revela que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer até poder ser considerado uma Economia do Bem-Estar, sendo a primeira avaliação desenvolvida neste âmbito. Foram avaliados parâmetros na área da saúde, mobilidade e recursos naturais, entre outros.

"De uma forma global, podemos dizer que o desempenho de Portugal deixa muito a desejar em todos os eixos estratégicos, onde há ainda muito a fazer, seja na componente do combate às múltiplas desigualdades - de rendimento, de género, de acesso à informação, à educação, à saúde e à qualidade de vida - seja no estímulo a um modelo económico diferente, onde outras formas de economia - locais, sustentáveis, partilhadas, inclusivas - são potenciadas", explicou a Associação Sistema Terrestre Sustentável (ZERO), em comunicado.

Este relatório insere-se num projeto da Zero cujo objetivo é a adesão de Portugal à parceria "Governos para uma Economia do Bem-Estar", que conta já com países como a Escócia, a Irlanda, o País de Gales, a Finlândia, a Islândia e a Nova Zelândia. "A Economia do Bem-Estar procura estratégias a montante, desenhadas especificamente para responder às necessidades fundamentais e prioridades das pessoas, em vez de apostar em investimentos a jusante, com o objetivo de resolver ou minimizar os impactos negativos decorrentes de uma Economia focada no modelo atual de crescimento", esclareceu a organização.

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Os indicadores analisados relacionam-se com oito eixos estratégicos (organização da sociedade, educação e capacitação; economia; trabalho; saúde; energia, edifícios e mobilidade; recursos naturais e território; instrumentos financeiros), que permitiram obter uma imagem aproximada do desempenho de Portugal, comparando-o com a média da União Europeia ou com a média da OCDE (dependendo da fonte dos indicadores).

No caso da Saúde, foram avaliados dados como a taxa de obesidade, anos de vida saudável, auto-perceção de saúde. Na energia, edifícios e mobilidade: emissão de gases com efeito estufa (toneladas per capita), percentagem da população com incapacidade de manter a casa aquecida; na economia foram analisados dados como a circularidade dos materiais (%) e a reciclagem de resíduos urbanos (% do total).

Zoom a Portugal

Segundo a associação, o relatório revela também que Portugal se situa muito abaixo da média da União Europeia no que toca ao nível da eficiência e circularidade no uso dos recursos. "O facto de, não obstante termos já um bom desempenho em termos de penetração das energias renováveis no consumo final de energia (34%), mantermos ainda uma fortíssima dependência energética do exterior (65,2%) apenas vem reforçar a necessidade do país reforçar a sua resiliência a crises através da aposta em energias renováveis, associada à eficiência no uso de todos os recursos e à promoção da sua circularidade" revelou.

Já relativamente a desigualdades sociais e equidade intra-geracional, o relatório refere que existem ainda "enormes desafios a vencer''. De acordo com o mesmo, 40% da população mais pobre tem acesso a apenas 21% do rendimento. Além disso, persistem situações de risco aumentado de pobreza e exclusão social nas regiões rurais, quando comparadas com as regiões urbanas (8,6 pontos percentuais acima). Relativamente a este indicador, Portugal encontra-se muito acima da média europeia (esta é de apenas 0,9%). Note-se que estes são dados do Eurostat referentes a 2020, tendo sido uma das fontes utilizadas pelo relatório da Zero.

"Em 2040, queremos que Portugal seja um país no qual todos possam viver vidas saudáveis e realizadas, independentemente de quem sejam ou de onde vivam e onde as decisões são participadas, inclusivas e transparentes. Que as pessoas vivam dignamente, conectadas e em harmonia com a natureza, reconhecendo e respeitando as interdependências e os limites. Que haja um sentido de comunidade, prosperidade e coesão em todas as regiões e respeito entre todos (gerações presentes e futuras) no nosso território e além fronteiras", explicou a Associação Sistema Terrestre Sustentável, no comunicado.

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