Covid-19

Portugal pediu informações sobre açambarcamento de Remdesivir pelos EUA

Portugal pediu informações sobre açambarcamento de Remdesivir pelos EUA

O Infarmed enviou um pedido de esclarecimento à fabricante do antiviral Remdesivir, para perceber se a intervenção em pacientes covid-19 com esse medicamento em Portugal estará em risco, depois de ser tornado público que os EUA compraram quase todo o stock para três meses, revelou Jamila Madeira, secretária de Estado da Saúde.

Remdesivir

Na conferência de imprensa de balanço da covid-19 em Portugal, a governante revelou que a farmacêutica foi já contactada, para mais esclarecimentos, no entanto, sublinhou que Portugal não utiliza o fármaco da mesma forma que o EUA, tendo uma intervenção mais "pontual em casos clínicos concretos", ao contrário do que os EUA estarão a fazer.

O medicamento, com uma autorização especial de utilização, "está disponível desde o primeiro dia da pandemia em Portugal", referiu, acrescentando que todos os médicos que consideraram que seria útil o puderam pedir e utilizar nos seus pacientes.

Os Estados Unidos compraram à empresa Gilead Sciences praticamente toda a reserva para três meses do medicamento remdesivir, o primeiro aprovado no país no tratamento de covid-19, anunciou na segunda-feira o departamento de saúde norte-americano.

Em comunicado, o departamento de saúde informa que "assegurou mais de 500 mil ciclos de tratamento do medicamento para hospitais americanos até setembro", o que equivale a "100% da produção prevista da Gilead para julho (94.200 ciclos), 90% da produção em agosto (174.900 ciclos) e 90% da produção em setembro (232.800 ciclos), além de uma verba para ensaios clínicos".

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Contacto com infetados

Apesar do empenho das autoridades de saúde no contacto com doentes infetados com o novo coronavírus, há dificuldades no terreno, que se prendem com moradas falsas ou desatualizadas, o que faz com que o trabalho seja mais difícil, confirmou, esta quarta-feira, Jamila Madeira.

Questionada sobre a notícia de que as autoridades não conseguiriam contactar mais de 100 pacientes diariamente, a governante sublinhou que as dificuldades têm estado a ser supridas "com a operacionalização e outros caminhos para localizar estas pessoas, ainda que não com a celeridade desejada. Esta questão não é algo que a saúde consiga responder, tem a ver com os registos", explicou.

Solidariedade com autoridades de saúde

A secretária de Estado da Saúde Adjunta e da Saúde declarou solidariedade com as autoridades de saúde da região de Lisboa, atribuindo as dificuldades na contenção da pandemia a fatores como moradas falsas que impedem o rastreio de contactos.

"As chefias são sempre aqueles que assumem a responsabilidade como um todo. Os problemas que surgem na operação são os que são. Temo-los sinalizados. E estamos todos, enquanto parte desta operação, solidários com as soluções que vão sendo encontradas, afirmou Jamila Madeira, em conferência de imprensa no Ministério da Saúde.

Confrontada com críticas do presidente da Câmara de Lisboa, o socialista Fernando Medina, que defendeu a substituição de chefias nas autoridades de saúde de Lisboa face à falta de resultados na contenção da pandemia, Jamila Madeira afirmou que "por muito bons que sejam os profissionais ou as chefias, deparar-se-ão sempre com esses problemas técnicos que se vão refletir na evolução dos contactos e na evolução da pandemia".

Amadora-Sintra próximo da capacidade máxima

Com a pandemia a registar mais casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, o Hospital Amadora-Sintra encontra-se com uma ocupação de 87%, segundo disse a secretária de Estado. "Ainda não está na sua capacidade máxima, mas naturalmente está-se a aproximar dessa capacidade", disse a governanta lembrando, no entanto, que os hospitais da região funcionam em rede.

Sobre a capacidade der tratar os doentes mais graves, o Governo lembra que os hospitais da região receberam 134 ventiladores, "entre compras, doações e empréstimos".

Jamila Madeira defendeu que o governo tem procurado encontrar "as melhores respostas" para os problemas que vão surgindo e agilizá-las "tão rápido quanto possível" no terreno.

"É o que estamos a fazer com as medidas adotadas na Área Metropolitana de Lisboa e estamos certos de que, se cada um fizer a sua parte, trarão os resultados desejados a muito breve trecho", declarou, durante o encontro com os jornalistas, em que esteve acompanhada pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Saúde 24

A secretária de Estado indicou que a linha Saúde 24, apesar de estruturalmente não se encontrar preparada para esta pandemia, enfrentou "um desafio gigante" num curto período, "respondendo plenamente ao papel de primeira triagem e respetivo encaminhamento" dos doentes.

"Nestes exigentes e singulares meses de 2020 deu resposta a mais de um milhão de chamadas, num reforço sem precedentes da sua capacidade", frisou.

Jamila Madeira sublinhou que as dificuldades e os desafios continuarão a surgir todos os dias, "a todas as horas", até que seja apresentada uma vacina e um tratamento eficaz para a covid-19, uma doença que diariamente revela "mais uma das suas vertentes".

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