Covid-19

Portugal pode adiar toma da segunda dose para vacinar mais 200 mil pessoas

Portugal pode adiar toma da segunda dose para vacinar mais 200 mil pessoas

A DGS e o Infarmed estão a estudar o adiamento da segunda toma da vacina contra a covid-19, por um período máximo de duas semanas, para que mais 200 mil pessoas possam ser vacinadas até ao final do mês de março, devido aos problemas de fornecimento por parte das farmacêuticas.

"Está a ser estudado, a meu pedido, pela Direção-Geral da Saúde e pelo Infarmed, o alargamento deste período por duas semanas, de forma a conseguirmos antecipar a vacinação a cerca de 200 mil pessoas. É muito importante pelos 70% da proteção que pode dar. Reforçar a vacinação uma ou duas semanas mais tarde praticamente não vai fazer grande variação no processo de defesa da pessoa que já foi vacinada com a primeira dose", defendeu o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, líder do grupo de trabalho para a vacinação contra covid-19 em Portugal, esta quarta-feira de manhã, durante uma audição na comissão de Saúde, no Parlamento.

Para Gouveia e Melo, a antecipação da vacinação é "um bom princípio" e permitirá uma aproximação à meta da União Europeia que define a inoculação de 80% dos idosos com mais de 80 anos até ao fim do primeiro trimestre. Ainda assim, o vice-almirante assume algumas dúvidas e "preocupação" no que toca a atingir esse objetivo, recordando que existe um "constrangimento difícil" com as vacinas da AstraZeneca que não podem ser administradas a pessoas acima dos 65 anos.

"70% de proteção é melhor do que 0% de proteção para 200 mil pessoas durante um período alargado", defendeu o líder do grupo de trabalho para a vacinação contra covid-19, admitindo que "através das evidências" sobre a administração da vacina da AstraZeneca a idosos noutros países, Portugal poderá alterar a sua posição.

Em resposta aos deputados, o líder do grupo de trabalho para a vacinação contra covid-19 não descartou ainda a possibilidade de elaborar um novo plano de vacinação, tendo em conta as dificuldades em obter vacinas.

""Temos de estar abertos a que se tenha de fazer um novo plano, porque o dinamismo da situação a isso obriga. Mas também não podemos fazer permanentemente um novo plano quando muda a disponibilidade de vacinas. Tem de ser um plano dinâmico e adaptativo à mudança.", referiu, defendendo ainda que "devem ser adquiridas o máximo de vacinas possíveis face à situação em que os países vivem".

"Todas as vacinas são úteis", frisou.

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Quanto à mais recente previsão do Infarmed para a chegada de vacinas, Portugal deverá receber 2,5 milhões de doses no primeiro trimestre, nove milhões no segundo, 14,2 no terceiro e 9,5 milhões no último trimestre deste ano. Se esta previsão se concretizar, a imunidade de grupo será atingida "no inicio de agosto". Ainda assim, a instabilidade nas entregas pode fazer derrapar o prazo para 2022.

Para acelerar o processo de vacinação, Gouveia e Melo aponta dois caminhos: manter os centros de saúde a funcionar como até agora, "usar a capacidade das 70 mil vacinas por dia e encontrar outros enfermeiros no sistema de saúde para fazer processos de vacinação rápida" ou "desviar parte dos enfermeiros" dos centros de saúde para centros de vacinação rápida, onde a "eficiência de vacinação é maior".

Segundo o responsável, num centro de vacinação há capacidade para inocular 25 pessoas por hora, enquanto que um enfermeiro num centro de saúde tem vacinado, em média, seis pessoas por hora.

"O sistema de saúde comportará entre 40 e 70 mil vacinas por dia e em esforço. Temos de estender para 100 mil por dia num prazo relativamente curto. Nesse sentido, já fizemos um conjunto de iniciativas para preparar os postos de vacinação rápida, que vão acrescentar 30 a 40 mil vacinas por dia. E se for necessário, recorrer também às farmácias. Não há constrangimento de qualquer ordem em recorrer às farmácias", sublinhou Gouveia e Melo, admitindo que há abertura para contratar mais profissionais de saúde.

De acordo com o líder do grupo de trabalho para a vacinação contra covid-19, está em cima da mesa a possibilidade de vacinar, numa fase mais precoce, os estudantes de medicina, farmácia e "todos que operam em contexto hospitalar" e que estão em risco. "Estamos a estudar as listas para depois os priorizar", adiantou.

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