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Portugal precisa de pôr restaurantes e hotéis a reciclar o vidro

Portugal precisa de pôr restaurantes e hotéis a reciclar o vidro

Para alimentar a indústria vidreira, são importadas anualmente 400 mil toneladas de vidro usado.

Para cumprir as metas de reciclar 70% das embalagens de vidro, em 2025 e 75%, em 2030, o país precisa de envolver as empresas do canal HORECA (restaurantes, hotéis, cafés). Para atingir este objetivo, a Associação das Indústrias do Vidro e da Embalagem e a Sociedade Ponto Verde apresentaram esta terça-feira, em Guimarães, um projeto que pretende facilitar a tarefa de colocar grandes quantidades de embalagens de vidro no vidrão,

O sistema é composto por contentores de 120 litros que, quando acoplados a um dispositivo num vidrão próprio, permite bascular o conteúdo sem esforço. Este dispositivo destina-se a facilitar a tarefa de reciclagem aqueles que são os maiores produtores deste tipo de material. Em média, este tipo de empresas, produz anualmente 2045 quilos de embalagens de vidro, contra os 63 quilos das habitações domésticas. É por isso que Sandra Santos, presidente da AIVE, afirma que "é neste canal que reside a aposta mais eficiente de recuperação de vidro usado."

O problema é que os vidrões existentes não estão pensados para estes operadores. Com as entradas situadas a uma altura elevada, é impossível despejar uma carga pesada de forma rápida e confortável. Em projetos piloto, com contentores basculantes, realizados em 2014, em Setúbal e Almada, foi possível aumentar em 300% a recolha, aponta Susana Ramalho, responsável de operadores de recolha, da Sociedade Ponto Verde.

Estas primeiras experiências visavam testar a tecnologia, com o projeto-piloto, hoje apresentado, procura-se avaliar a continuidade da adesão das empresas, por isso estende-se por 18 meses. O "#horecafazpartedasolução: Mais Vidro, Mais Reciclagem", já arrancou com a Lipor, em Matosinhos, Gondomar e Espinho, com a Resinorte, em Guimarães e Vizela e em Cascais, através da Cascais Ambiente. Em maio, a Algar vai alargar o projeto a alguns municípios do Algarve.

No total serão colocados 270 vidrões com esta capacidade basculante, estrategicamente colocados nos pontos de maior produção de vidro usado. Paralelamente, o programa também prevê a formação dos agentes do setor para a reciclagem do vidro, porque apesar de a população portuguesa não ser resistente, há boas práticas que é preciso implementar, "como evitar a contaminação do vidro com materiais cerâmicos" (pratos, chávenas...), esclarece Susana Ramalho.

Portugal está atrasado

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Portugal está um pouco atrasado, reconhece Sandra Santos. O país recolhe, atualmente, 56% das embalagens de vidro e no melhor ano, 2011, atingiu 60%. Entretanto o consumo de vidro aumentou, mas a recolha de vidro usado não acompanhou. A Europa como um todo já está a recolher 76% das embalagens de vidro e a "Close Glass Loop", uma plataforma de ação da indústria europeia, aponta para uma meta de 90% de recolha em 2030. "Devido às alterações tecnológicas que nos permitem usar mais matéria reciclada nos nossos fornos, nós reciclávamos mais, se existisse", afirma a presidente da associação das indústrias vidreiras.

Apesar de serem apenas três empresas, o setor vidreiro nacional é excedentário, produzindo anualmente 1,5 milhões de toneladas, correspondentes a seis mil milhões de embalagens. Esta indústria exporta entre 70 a 80% da sua produção, 60% em embalagens vazias e 20% em embalagens cheias.

Para alimentar os seus fornos, o setor vidreiro importa anualmente 400 mil toneladas de vidro usado (casco). Uma tonelada de casco é equivalente a 1,2 toneladas de matéria-prima primaria, porque o vidro é 100% reciclável. Além da poupança nas matérias-primas primárias o uso do caso permite economizar energia (3%) e reduzir a emissões CO2.

Estima-se que em Portugal são produzidas anualmente 200 mil toneladas de embalagens de vidro usado, por isso, Beatriz Freitas, secretária-geral da AIVE, afirma que as empresas "estão disponíveis para colocar nos fornos todo o casco de vidro que consigamos recolher", porque "ainda assim, aquilo que vamos buscar ao mercado externo é superior a tudo o que o mercado nacional produz."

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