Saúde

Portugal registou mais de 1800 casos de infeção por VIH em dois anos

Portugal registou mais de 1800 casos de infeção por VIH em dois anos

A infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), que pode causar a SIDA, manteve a tendência decrescente nos anos de 2020 e 2021, em Portugal. De acordo com um relatório divulgado esta terça-feira, pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA), foram diagnosticados 1 803 novos casos. A maioria são adolescentes com mais de 15 anos e adultos do sexo masculino (71,8%).

Do total de casos registados nos dois anos (1803), "870 foram diagnosticados em 2020 e 933 em 2021", aponta o mesmo documento. Neste período, houve ainda quatro crianças com diagnóstico positivo ao VIH. Os números revelam "uma redução de 44% no número de novos casos de infeção por VIH e de 66% em novos casos de SIDA entre 2012 e 2021". Há dez anos, havia 17,5 de novos casos de VIH por 100 mil habitantes, em comparação com as nove infeções por 100 mil habitantes registadas no ano passado. Na quinta-feira, 1 de dezembro, assinala-se o Dia Mundial de Luta Contra a SIDA.

Apesar da tendência decrescente, "a taxa anual de novos diagnósticos em Portugal mantém-se como uma das mais elevadas na União Europeia", alertam a DGS e o INSA. Face às taxas calculadas pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla em inglês), os valores no território português correspondem a "aproximadamente ao dobro" da média europeia. A título de exemplo, em 2020, a taxa do ECDC estava nos 3,6 casos de infeção por VIH (100 mil habitantes). Enquanto em Portugal, o número estava nos 8,4 diagnósticos positivos no mesmo ano.

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É possível perceber ainda pelos dados da DGS e do INSA, que houve um aumento no número de casos diagnosticados de 2020 para 2021. Na cerimónia de apresentação do relatório sobre a evolução do VIH em Portugal, esta terça-feira, Ricardo Fernandes, presidente do European AIDS Treatment Group, afirma haver uma "necessidade de repensar estratégias", já que há pessoas a "infetar-se cada vez mais cedo".

Mais de metade dos novos casos de VIH (55,4%) foi diagnosticada tardiamente nos dois anos. "Nos anos 2020 e 2021 e em ambas as abordagens, tanto as proporções de diagnósticos tardios como as de doença avançada são superiores às registadas nos anos antecedentes em análise", revelam a DGS e o INSA.

O contágio por via sexual foi referido em 92% dos casos com diagnóstico positivo em 2020 e 2021, "sendo a transmissão heterossexual [com parceiros do sexo oposto] a mais frequente (51,8%)" na totalidade de casos (inclui homens e mulheres). Já os casos em HSH [homens que têm sexo com homens] "constituíram 56,0% dos novos diagnósticos" registados em pessoas do sexo masculino.

Morte após diagnóstico

Durante os anos de 2020 e 2021, foram diagnosticados 415 novos casos de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), isto é, pessoas que tinham o vírus da imunodeficiência humana e cuja infeção evoluiu para a doença. Em 76,6% destes casos, "o diagnóstico de SIDA foi concomitante com o diagnóstico de infeção por VIH", ou seja, 318 pessoas souberam simultaneamente que tinham VIH e estavam já com sintomas e sinais de deficiência do sistema imunitário. As pessoas seropositivas, infetadas com VIH, podem ou não desenvolver SIDA.

Ainda de acordo com a DGS e o INSA, 298 pessoas morreram com VIH nos anos de 2020 e 2021 em Portugal, sendo que 139 estavam no estádio SIDA. Os óbitos ocorreram maioritariamente em homens (72,1%) e a "idade mediana à data de óbito foi de 58 anos". As duas instituições destacam que "o tempo decorrido entre o diagnóstico de infeção por VIH e a morte foi superior a 20 anos em 24,5% dos óbitos" nos dois anos.

No ano passado, foram realizados 45 012 testes rápidos de deteção do VIH nos Centros de Aconselhamento e Deteção Precoce do VIH (CAD), nos centros de saúde e nas organizações não-governamentais e de base comunitária. "Verificou-se, comparativamente aos anos 2020 (43 090) e 2019 (43 691), um aumento de 5% e de 4%, respetivamente", lê-se no relatório.

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