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Portugal sem excesso de óbitos passados 114 dias

Portugal sem excesso de óbitos passados 114 dias

A 21 de fevereiro, pela primeira vez desde 30 de outubro, a mortalidade esteve dentro do esperado. Não fosse a covid, números estariam abaixo da média.

A anormalidade estatística no que à mortalidade, neste ano, concerne tem ficado gravada em dias. Agora, 21 de fevereiro entra nos registos. Por bons motivos. No passado domingo, finalmente, Portugal não registou óbitos em excesso. Desde 30 de outubro do ano passado que tal não acontecia.

De acordo com os dados do eVM - sistema de vigilância da mortalidade em tempo real, no passado dia 21 a mortalidade por todas as causas esteve dentro do esperado para esta altura do ano, num total de 366 óbitos. Foi a primeira vez em 114 dias. E no início desta semana manteve igual tendência.

A que não é alheia a contínua redução de óbitos por covid, depois de um janeiro negro, com 45% do total de mortes, na altura, por SARS-CoV-2. Já neste mês, o novo coronavírus responde por 24% do acumulado.

Numa análise até 22 de fevereiro, os dados mostram que, se não fosse a covid, estaríamos com menos mortes face à média de 2017-2019. De acordo com os cálculos do professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Carlos Antunes, este ano contam-se já 8925 óbitos a mais.

vírus suplanta excesso

Ora, no mesmo período, a letalidade por covid contabilizava 9114 óbitos. O que dá uma sobremortalidade acumulada negativa de menos 189 óbitos por as todas causas, revela ao JN Carlos Antunes. Também consequência da estabilização das temperaturas, depois da vaga de frio de janeiro, bem como da redução de mortes em acidentes de viação, por força da menor mobilidade imposta pela pandemia.

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Do excesso de óbitos apurado para este ano, 74% concentram-se só no mês de janeiro. Altura em que a covid respondeu por 88% dessa sobremortalidade. Segundo Carlos Antunes, em janeiro, expurgado o covid, registaram-se, em média, 25 óbitos diários em excesso. Sendo que, sublinhe-se, o excesso de mortalidade apurado para este mês e meio corresponde já a 69% do verificado entre março e dezembro do ano passado.

A incidência de novos casos de covid continua a descer. De acordo com o boletim de ontem da Direção-Geral da Saúde, registaram-se mais 1032 infeções pelo vírus da SARS-CoV-2.

A ritmo menor seguem os internamentos, em linha com o desfasamento de duas a três semanas entre o diagnóstico e a ocupação de cama hospitalar. O relatório da DGS reportou 597 pessoas que ainda estavam em Unidades de Cuidados Intensivos (-30). Em enfermaria eram menos 310 (ver infografia). O país perdeu mais 63 para a covid-19.

À LUPA

Mais de 700 óbitos

Foi a 20 de janeiro deste ano que Portugal registou o número mais elevado de óbitos diários por todas as causas dos últimos 40 anos, pelo menos: 747. Naquele mês, tivemos oito dias com mais de 700 mortes/dia. Respondeu por 45% do total de mortes por covid.

Sobremortalidade

No ano passado, e com início de contagem a 2 de março, quando foi diagnosticado o primeiro caso de SARS-CoV-2 em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística apurou um excesso de 12 852 óbitos. Só no primeiro mês e meio deste ano contam-se já 8925, de acordo com os cálculos de Carlos Antunes.

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