Censos2021

Menos 214 mil residentes numa década e 50% vivem em 31 concelhos

Menos 214 mil residentes numa década e 50% vivem em 31 concelhos

Portugal tem menos 214.286 residentes do que em 2011, segundo o Censos 2021. Cerca de 50% da população está em 31 municípios, maioritariamente nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto.

A população residente em 2021 é de 10.347.892 um valor próximo do registado em 2001, quando residiam em Portugal 10.356.117 pessoas.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em termos censitários, a única década em que se verificou um decréscimo populacional foi entre 1960 e 1970.

Os dados preliminares mostram que há em Portugal 4.917.794 homens (48%) e 5.430.098 mulheres (52%).

Crescimento populacional no litoral

Entre 2011 e 2021, Portugal registou um decréscimo populacional de 2%, que resultou do saldo natural negativo (-250.066 pessoas, dados provisórios), apesar do "saldo migratório positivo", indicou o presidente do INE, Francisco Lima, na apresentação dos resultados preliminares do Censos 2021.

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Fernando Lima sublinhou ainda que apenas as NUTS (acrónimo das unidades territoriais para fins estatísticos) de Lisboa e Algarve registaram um aumento de população.

"Há uma clara concentração à volta da capital", sendo que o centro da cidade de Lisboa, em si, perde população, constatou, sublinhando que "os territórios do Interior perdem população".

O Algarve (3,7%) e a Área Metropolitana de Lisboa (1,7%) são as únicas regiões que registam um crescimento da população. As restantes regiões viram decrescer o seu efetivo populacional, com o Alentejo a observar a quebra mais expressiva (-6,9%), seguindo-se a Região Autónoma da Madeira (-6,2%).

A Área Metropolitana de Lisboa tem mais 49.257 habitantes do que há dez anos - passou de 2.821.876 pessoas em 2011 para 2.871.133 em 2021 - e apenas quatro dos 18 municípios da região perderam população (Amadora, Lisboa, Barreiro e Oeiras). Os maiores aumentos a registarem-se em Mafra (+12,8%), Palmela (+9,6%), Alcochete (+9%) e Montijo (+8,8%).

A população do Algarve subiu na última década para 467.495 habitantes, mais 16.489 do que os 451.006 registados em 2011. O aumento populacional verificou-se, por ordem decrescente, nos concelhos de Vila do Bispo (+8,8%), Albufeira (+8,2%), Lagos (+7,9), Portimão (+7,7), São Brás de Alportel (+5,7), Tavira (+5,2), Faro (+3,9), Lagoa (+3,2) Loulé (+3.1), Aljezur (+2,8) e Silves (+1,9). Os concelhos de Alcoutim (-13,6%), Monchique (-9,6%), Castro Marim (-4,6%), Olhão e Vila Real de Santo António (ambos com -1,7%) perderam residentes,

50% da população em apenas 31 municípios

Nos últimos 10 anos, dos 308 municípios portugueses, 257 registaram decréscimos populacionais e apenas 51 registaram um aumento. Na década anterior tinham assistido a quebras populacionais 198 municípios.

Segundo os resultados preliminares dos censos 2021, cerca de 50% da população residente em Portugal concentrava-se em apenas 31 municípios, localizados maioritariamente nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto.

Média de 2,5 pessoas por agregado

De acordo o INE, existem em Portugal 4.156.017 agregados domésticos privados e agregados institucionais, um crescimento de 2,7% face a 2011.

O número de agregados aumentou em todas as Regiões NUTS II, com exceção da região do Alentejo, onde o valor decresceu 3,6%.

Como resultado do crescimento no número de agregados, a par do decréscimo populacional registado, há uma redução da dimensão média dos agregados, que em 2021 é de 2,5 pessoas, valor que baixou em 0,1 face ao apurado em 2011, que se situava em 2,6 pessoas/agregado.

Os dados mostram igualmente que Portugal registou um ligeiro crescimento do número de edifícios e de alojamentos destinados à habitação, embora num ritmo bastante inferior ao verificado em décadas anteriores, segundo o INE.

O número de edifícios destinados à habitação apurado é de 3.587.669 e o de alojamentos 5.961.262, valores que, em relação a 2011, representam um aumento de 1,2% e 1,4%, respetivamente.

Os dados "têm ainda um caráter preliminar, na medida em que são baseados em contagens resultantes do processo de recolha e divulgados antes do final de todo o processo de tratamento e validação da informação recolhida", sublinha o INE.

Os resultados definitivos dos Censos 2021 só devem ser conhecidos no quarto trimestre de 2022, aponta o INE, adiantando que haverá uma sessão intermédia de apresentação de mais resultados provisórios em fevereiro.

A fase de recolha dos Censos 2021 decorreu entre 5 de abril e 31 de maio e os dados referem-se à data do momento censitário, dia 19 de abril.

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