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Portugueses faltaram em média cinco dias ao trabalho por doença

Portugueses faltaram em média cinco dias ao trabalho por doença

Os portugueses faltam em média cinco dias por ano ao trabalho por estarem doentes ou para cuidarem de familiares, o que representa uma perda de 1,7 milhões de euros só em salários.

Os cuidados prestados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) reduziram o absentismo em cerca de 1 dia e meio, numa poupança estimada de 550 milhões de euros.

O estudo "Índice de Saúde Sustentável" da Nova Information Management School, que está a ser apresentado esta manhã de terça-feira na conferência Abbvie/ TSF/ DN, em Lisboa, revela ainda que o absentismo prolongado (mais de 20 dias) está em queda, representando cerca de 10% do total.

O mesmo estudo indica que, no ano passado, se perderam 2,7 milhões de cuidados de saúde - consultas, urgências e exames - por causa dos custos, nomeadamente das taxas moderadoras.

Em 2016 houve um potencial de mais de 765 mil episódios de urgência (11% do total) perdidos, menos 4,5% do que no ano anterior. No que respeita às consultas, perderam-se cerca de 734 mil nos cuidados primários (menos 6,5% do que no ano anterior) e 433 mil nos cuidados hospitalares (menos 5,5%). Também por falta de capacidade dos utentes para pagar, não foram realizados cerca de 760 mil exames de diagnóstico (menos 1,4%).

Na farmácia também ficaram por aviar boa parte das receitas: 11,8% dos utentes inquiridos admitem que deixaram de comprar um medicamento em 2016. No ano anterior, foram 14,2% e, em 2014, 15,7%.

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"É inegável que estes números nos transmitem que há barreiras económicas no acesso ao sistema, mas não podemos deixar de nos impressionar pelas quedas face ao ano anterior", realçou Pedro Coelho Simões, autor do estudo e diretor da Universidade Nova IMS, durante a conferência transmitida em direto pela TSF.

Ainda assim há cada vez mais utentes que consideram que estão a pagar um preço justo pelos cuidados de saúde que recebem - 38% consideram-no adequado ou muito adequado - e pelos medicamentos - 50% consideram adequado e muito adequado.

O ministro da Saúde, presente na abertura da conferência, sublinhou que 2016 marcou "um ponto de viragem" no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e realçou que o estudo prova que as taxas moderadoras estavam a ser uma barreira no acesso à saúde.

"O mais importante sinalizar é que 2016 foi um ponto de viragem. Mais uma vez se comprovou que as taxas moderadoras estavam a ser um agente de barreira e acesso ao SNS, sobretudo aos mais pobres", disse Adalberto Campos Fernandes.

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