Covid-19

Portugueses revelaram pouco medo da pandemia

Portugueses revelaram pouco medo da pandemia

Uma investigadora de Universidade de Aveiro (UA) participou num estudo em conjunto com outros 22 países que teve como objetivo realizar uma previsão da evolução da pandemia no final de 2020. E chegou a uma conclusão surpreendente: os portugueses eram dos que tinham menos medo da pandemia.

O medo dos portugueses em relação ao vírus era menor do que noutros países, em abril e maio do ano passado. "Apesar de ninguém no mundo poder vaticinar a duração exata da pandemia, os portugueses acreditavam que venceriam o coronavírus em breve", diz Valentina Chkoniya. A maior parte das pessoas acreditava que "não contrairia o vírus", e apenas 8% acreditava que a probabilidade de serem infetados era alta. O sentimento e postura otimista acabou por trair os portugueses, conclui.

"O nível de medo dos portugueses participantes era relativamente baixo, sendo este o motivo que explicava um número também relativamente baixo de pessoas que interiorizaram o conhecimento sobre como evitar a infeção", explica a investigadora, num comunicado enviado às redações. A partir das respostas aos inquéritos, a investigadora concluiu que se esperava um agravamento da pandemia no outono.

Prever a evolução

Para chegar a uma previsão fiável, o estudo combinou uma investigação científica e um inquérito a vários participantes, "uma abordagem inovadora" diz Valentina Chkoniya, a investigadora da UA. As conclusões do estudo, realizado em conjunto entre 23 países, "mostram que com a conjugação de analíticas avançadas com ferramentas de neuromarketing que permitem o conhecimento de comportamento humano e de seus verdadeiros sentimentos, foi possível prever a evolução da pandemia", pode ler-se em comunicado da UA.

A investigadora disse que foi usada a ferramenta iCode Smart Test para medir o grau de certeza nas respostas aos inquéritos. Os inquéritos tiveram um formato simples e o algoritmo analisa as respostas detalhadamente, analisando fatores como as respostas dadas, o tempo de resposta, ritmo com que as pessoas tocaram no ecrã e possíveis hesitações nas respostas. "Quanto maior a confiança na resposta, mais relevante é a questão para quem responde ou mais provável é que ajam de acordo com a resposta", diz o comunicado.

O estudo,"What do portuguese really feel about the COVID-19 pandemic, consumer neuroscience and advanced analitics - discovering new perspetctives", assinado por Valentina Chkoniya, Dorota Reykowska e Rafal Ohme, foi realizado entre 18 de abril e 3 de maio de 2020, e contou com a participação de pessoas com idades entre os 18 e 65 anos residentes em Portugal Continental. A conclusão final está publicada na editora científica "Springer Nature Switzerland AG", e é baseada em 300 inquéritos completos e confirmados pelo sistema.

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