"Copos e mulheres"

Presidente do Eurogrupo não se demite e diz ter "estilo direto"

Presidente do Eurogrupo não se demite e diz ter "estilo direto"

Começou por recusar desculpar-se mas, com as críticas e pedidos de demissão a avolumarem-se, o presidente do Eurogrupo lamenta que se tenham ofendido com o seu "estilo direto" de falar.

O holandês Jeroen Dijsselbloem diz ter sido mal interpretado quando, em entrevista ao jornal alemão "Frankfurter Allgemeine", acusou o Sul da Europa de desperdício de dinheiro em "copos e mulheres", durante a crise que conduziu ao resgate financeiro de países como Portugal, Grécia ou Espanha.

O líder do Eurogrupo garante que não vai demitir-se do cargo, apesar das muitas vozes críticas e pedidos de demissão, incluindo de Portugal. "O meu estilo é direto e, se as pessoas as tomaram [às declarações] como uma ofensa, lamento", declarou esta quarta-feira, citado pela agência Reuters.

"Lamento que alguém se tenha ofendido com o comentário. Foi direto e pode ser explicado com a cultura de rigor holandesa, a cultura Calvinista", justificou Dijsselbloem, em declarações divulgadas em Bruxelas.

"Lamento que a minha mensagem tenha sido mal entendida e lamento que tenha emergido como o norte contra o sul", salientou, dizendo ainda não ter essa experiência a título pessoal nem enquanto presidente do fórum que reúne os ministros das Finanças da zona euro.

Dijsselbleom adiantou também que a frase que se refere a álcool e mulheres era sobre ele mesmo: "Disse não poder esperar que, se gastar o meu dinheiro de uma forma errada, possa pedir apoio financeiro".

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"Não tenho qualquer intenção de me demitir", frisou.

"Comentários inaceitáveis"

O presidente do Parlamento Europeu (PE), Antonio Tajani, condenou "preconceitos e estereótipos" como os "comentários inaceitáveis" do líder do Eurogrupo, após um encontro com Marcelo Rebelo de Sousa.

Falando numa conferência de imprensa após um encontro com o presidente da República, na sede do PE, em Bruxelas, Tajani salientou que os comentários de Jeroen Dijsselbloem são "inaceitáveis".

"Ninguém tem o direito de ofender qualquer nação ou povo com comentários racistas ou sexistas, os comentários do presidente do Eurogrupo são inaceitáveis", sublinhou.

"Agora, mais do que nunca, é importante ultrapassarmos preconceitos e estereótipos", disse Tajani, acrescentando que "chefiar o Eurogrupo é uma enorme responsabilidade, especialmente considerando o impacto da crise financeira nas nas vidas dos nossos cidadãos".

Os portugueses, disse ainda "fizeram enormes sacrifícios durante a crise económica, não tem sido fácil, tem sido mesmo difícil, mas a graças à sua coragem e orgulho, estou convencido de que o pior já passou".

Governo alemão apoia Dijsselbloem

A porta-voz do Ministério das Finanças alemão, Friederike von Tiesenhausen, afirmou num encontro com os jornalistas, citado pela agência Efe, que o ministro Wolfgang Schäuble "aprecia muito" o trabalho do seu homólogo holandês à frente do Eurogrupo.

Friederike von Tiesenhausen disse ainda que deve ser lida na totalidade a parte da entrevista em que faz essas declarações, dando a entender que a polémica citação está fora do contexto.

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