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Primeiro português com coronavírus quer continuar a trabalhar em navios

Primeiro português com coronavírus quer continuar a trabalhar em navios

Canalizador do Diamond Cruises chegou esta terça-feira a Portugal e reuniu-se com a família, na Nazaré, que não via há três meses. Sente-se bem e feliz.

Adriano Maranhão, o primeiro português infetado com coronavírus, quer continuar a trabalhar como canalizador para a Princess Cruises, empresa norte-americana detentora de 20 navios, mas só depois do problema estar ultrapassado. De regresso a Portugal, ao fim de 20 horas de viagem de avião, vai ficar em terra dois meses, período em que decidirá o que fazer após esta pausa, imposta pela companhia.

"Eu e a Emanuelle vamos ponderar o que fazer, porque esta situação do coronavírus não se vai resolver entretanto", afirma Adriano Maranhão. "Se se mantiver, num futuro próximo, não vou arriscar, porque os cruzeiros são frequentados por pessoas mais idosas, que são as que este vírus mais ataca", justifica. "Mas a minha ideia é voltar", adianta.

Quase três meses depois de ter embarcado no navio Diamond Cruises, o tripulante da Nazaré regressou ontem a casa, após as análises efetuadas no hospital japonês, onde esteve internado, terem dado negativas. "Estou muito feliz. Estou perto da família", comenta. Após ter tido alta, passou os últimos quatro dias num hotel, onde aproveitou para "descansar, passear e correr".

Durante os dias em que esteve internado, Adriano Maranhão sentiu-se sempre bem, mas optou por se resguardar no quarto, de onde só saía para ir buscar as três refeições diárias que eram deixadas num balcão, ao fundo de um corredor, de 15 metros de comprimento. "Podia permanecer nesse corredor, mas circulavam lá mais pessoas que podiam estar infetadas, e não queria estar em contacto com elas."

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Os dois meses em que o canalizador irá ficar em casa a descansar já foram pagos pela companhia, que não quer que ninguém regresse ao trabalho antes desse período. Na sexta-feira, dia 13, os restantes tripulantes do navio Diamond Cruises, que entraram em quarentena após os passageiros, também passarão pelo mesmo processo. Três deles são portugueses.

Ao olhar para trás, Adriano Maranhão recorda o "choque" que sentiu quando soube que estava infetado. "Quando recebi a notícia, não estava bem informado sobre o coronavírus. A única informação que tinha era que a maior parte das pessoas a quem o teste tinha dado positivo estavam a morrer", recorda. "O meu primeiro pensamento, e dos meus colegas, é que íamos passar desta para melhor", confessa. "Nos primeiros dias, não andei a bater bem. O stresse e o receio começaram a tomar conta de mim."

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