Doenças crónicas

Privados querem ajudar na reposição dos cuidados de saúde

Privados querem ajudar na reposição dos cuidados de saúde

Falta de acompanhamento de doentes crónicos motivou assinatura de protocolo em que hospitais, seguradoras, farmácias e farmacêuticas se comprometem a prestar assistência melhorada.

A luta contra a pandemia de covid-19 criou dificuldades de acesso aos serviços de saúde por parte dos doentes crónicos, por isso o Conselho Estratégico Nacional da Saúde (CENS) da Confederação Empresarial de Portugal preparou um conjunto de medidas de implementação rápida e vai apelar ao governo para que, em conjunto, público e privado, possam elaborar um "plano extraordinário de retoma e recuperação da atividade, ao mesmo tempo que defendem melhorias na relação com as instituições de saúde".

As cerca de 70 associações de doentes que, esta quarta-feira, subscreveram o protocolo com o CENS, irão reforçar o apelo à universalidade de acesso e humanização dos cuidados de saúde, quer no setor público, quer no privado.

Trabalho em equipa e propostas ao governo

Sensibilizar o governo para "uma maior atenção ao acesso aos cuidados de saúde primários e a criação de um plano de recuperação específico dirigido aos portugueses, que, pela sua idade e situação social, estão em situação de maior vulnerabilidade e com dificuldades acrescidas de acesso aos cuidados de saúde" é a primeira medida incluída no referido protocolo. Mas haverá, ainda, uma proposta ao governo no sentido de ser elaborada "uma carta de equipamentos do sistema de saúde, que inclua todos os setores, com o objetivo de conseguir uma eficiente gestão dos recursos disponíveis no país, para a prestação de cuidados de saúde, designadamente consultas médicas e meios complementares de diagnóstico e terapêutica, recuperação de cirurgias, restantes atos médicos e tratamentos".

O CNES compromete-se a criar serviços de apoio ao doente nas unidades de saúde de maior complexidade e dimensão, "como forma de salvaguarda dos direitos dos doentes", bem como a garantir o acompanhamento dos doentes nos mesmos locais, prestando " especial auxílio a todas as pessoas que dele necessitem" e eliminando atrasos e filas nas salas de espera.

Melhorar a comunicação entre doentes, profissionais de saúde e instituições privadas é uma das garantias dadas às associações com as quais o CNES assinou protocolo. Tal significa a disponibilização de números de contacto diretos, formas de comunicação digital seguras e, também, "linguagem simples e acessível às pessoas" em websites e sinalética das unidades de saúde (por exemplo, indicando patologia clínica e análises clínicas). A tecnologia poderá facilitar as consultas por videochamada, mas também poderá ser usada para "execução em domicílio, por parte de doentes e/ou cuidadores, de determinados exercícios de reabilitação".

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Tecnologia para ajudar

Doentes e CNES concordam que a tecnologia é um "instrumento essencial para a prestação de cuidados de saúde de acordo com modelos que coloquem as pessoas no seu centro", nomeadamente prevendo necessidades ou eliminando registos redundantes, entre outros. A promoção da interoperabilidade entre sistemas e unidades operacionais será executada para reduzir custos e aumentar a eficiência, facilitando outros processos, como as videoconsultas.

Ainda no espírito da cooperação, mas também mantendo uma aspiração antiga, as farmácias querem integrar "a estratégia futura de vacinação do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", cooperando ainda na distribuição de vacinas (da gripe ou outras que surjam) em farmácias comunitárias. Além disso, serão agilizados "canais de comunicação entre o médico e o farmacêutico", assegurando que os doentes podem ter alternativas em caso de falha de um medicamento.

A linha 1400, lançada pelas farmácias para promover o "acesso aos medicamentos e produtos de saúde em todo o território nacional, de forma segura, simples, eficiente e cómoda, evitando-se assim perdas de tempo e deslocações desnecessárias", passará também a "dar igualmente suporte
aos doentes no acesso aos medicamentos hospitalares, servindo de ponto de contacto para a solicitação do seu levantamento na sua farmácia de eleição ou até mesmo da entrega no domicílio". O plano ainda inclui o aumento de divulgação da linha e maior abrangência de atuação, para ajudar "pessoas com doença, com iliteracia digital, para completar procedimentos administrativos".

Medicamentos sem falhas

A distribuição farmacêutica, por seu turno, assegurará cooperação com o SNS "mediante modelos operacionais e financeiros sustentáveis a acordar entre as partes". Em conjunto, "as farmácias, em colaboração com o setor da distribuição, comprometem-se a estudar mecanismos de suporte ao serviço de entrega de medicamentos ao domicílio pelas farmácias".

As indústrias farmacêutica e de dispositivos médicos vão desenvolver "programas de apoio aos doentes" que "incluem, a título exemplificativo, a possibilidade de administração de fármacos ao domicílio, a criação de plataformas online de apoio aos doentes, de apps de monitorização de parâmetros, tal como já acontece noutros países europeus, para permitir uma melhor adesão à terapêutica dos doentes".

Do lado das seguradoras, o compromisso é de flexibilizar e simplificar os seguros de saúde, eliminando algumas burocracias relativas a pré-autorizações e comparticipando os testes à covid-19 "em fase de diagnóstico no contexto de outros atos cobertos pelo seguro".

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