Educação

Professores abertos a negociar com o Governo até ao final da legislatura

Professores abertos a negociar com o Governo até ao final da legislatura

O secretário-geral da FENPROF garantiu, esta quinta-feira, que a Federação Nacional dos Professores está disponível para dialogar com o Governo durante a legislatura no sentido de resolver os vários problemas que afetam a classe docente e o setor do ensino em Portugal.

O financiamento deficitário da Educação é uma das questões que, Mário Nogueira defende, ser "fundamental resolver para dar resposta aos problemas". Segundo o dirigente, o investimento em Educação está abaixo dos 4% do PIB, quando as instâncias internacionais defendem que deveria ser de 6%.

"O aumento de financiamento não se faz no Orçamento de Estado de 2022, a FENPROF está disponível para dialogar com o Ministério da Educação e encontrarmos um processo faseado, gradual, para ao longo de uma legislatura podermos atingir aqueles valores", disse durante a apresentação do 14º congresso da FENPROF, que vai decorrer em Viseu a 13 e 14 de maio.

Mário Nogueira sustentou que muitas das dificuldades que os docentes enfrentam são estruturais e já vêm do passado, daí esta abertura para o diálogo, ainda assim o dirigente sindical deixou um aviso ao Governo.

"Estamos disponíveis para dialogar, negociar, encontrar uma forma faseada de dar resposta [aos problemas] até ao final da legislatura, agora não estamos disponíveis para continuar a vê-los arrastarem-se e agravarem-se porque isso é trágico para o futuro da Educação em Portugal", afirmou.

A falta de professores é um dos assuntos que mais preocupa Mário Nogueira. Até ao final da década deverão sair do sistema de ensino cerca de 47 mil docentes, segundo os números oficiais. O líder da FENPROF considera que se nada for feito a situação, grave que é vivida nas escolas, passará a ser gravíssima.

"É preciso por um lado valorizar e criar condições para que os jovens que saíram da profissão, mas que já são professores, 10 a 11 mil, regressem. É preciso tornar atrativa a profissão para que aqueles que concluam o Secundário queiram ser professores", afirmou, acrescentando que também não se podem esquecer os docentes em exercício.

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"É preciso estimar os que cá estão, às vezes esquecemo-nos que é preciso respeitar e estimar os que cá estão porque se não muitos desses nem esperaram pelo dia da aposentação para se irem embora e irão embora antecipadamente como muitos já fizeram", alertou.

O financiamento, a falta de professores, a descentralização, a gestão das escolas, os problemas das aprendizagens e que afetam o ensino particular, são alguns dos assuntos a tratar no 14º Congresso da FENPROF.

Mário Nogueira disse que a 13 e 14 de maio Viseu vai transformar-se na capital nacional dos professores.

"O que pretendemos é que Viseu seja o centro do debate das questões da educação, do ensino e ciência em Portugal. Consideramos que a educação tem muitos aspetos que têm que ser melhorados, muitos problemas que têm que ser resolvidos. Há muito a fazer para que a nossa escola seja inclusiva", declarou.

O congresso servirá ainda para eleger os novos órgãos sociais da FENPROF. Segundo Mário Nogueira, esse é um dossiê que ainda não está fechado.

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