Educação

Professores alertam para risco de cunhas no novo modelo de contratação

Professores alertam para risco de cunhas no novo modelo de contratação

A FNE acusou o Governo de estar a promover um modelo de recrutamento de professores que promove o "amiguismo". Esta estrutura sindical, bem como a Fenprof, recusou, à saída de uma reunião com o ministro da Educação, que os diretores passem a poder selecionar um terço dos docentes consoante o perfil que considerem mais indicado. Mas João Costa, o titular da pasta - que falou após este início de negociação -, vai mesmo avançar com a medida: "Não parto do princípio de que as pessoas são desonestas", disse.

"Sabemos o país em que vivemos, as histórias que nos contam e o que se passa em concreto nas escolas", afirmou, esta quinta-feira, Pedro Barreiros, da FNE. "E sabemos os processos judiciais que temos relacionados com amiguismo e com fatores ditos C [cunha]. As coisas têm de ser ditas como elas são", reforçou.

O dirigente sindical teme que o novo modelo de contratação venha a sofrer do mesmo mal que, a seu ver, já se verifica nas avaliações de desempenho dos professores. "Aquilo que chega a todos os sindicatos da FNE, de Norte a Sul, é a suspeita e a denúncia de que há uns que são privilegiados e outros que nem tanto", frisou.

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Ser "objetivo, rigoroso e criterioso"

Por seu turno, o ministro reconheceu que é preciso encontrar um modelo de contratação "objetivo, rigoroso e criterioso". No entanto, recusou deixar cair este modelo, afastando as suspeitas levantadas pela FNE.

"Eu, por sistema, não desconsidero os professores que estão nas escolas, seja em funções de direção seja noutras funções. Portanto, não parto do princípio de que as pessoas são desonestas", afirmou João Costa.

Para o governante, o modelo atual - que os sindicatos defendem e o Governo e os diretores de escola querem alterar - só olha para os docentes "em função da sua nota de fim de curso e dos dias que trabalharam". Nesse sentido, é um modelo que os "desvaloriza", frisou.

Para explicar a sua proposta, João Costa deu o exemplo de uma escola de Lisboa "onde há mais de 30 ou 40 nacionalidades no 1.º ciclo". Considerou que, em casos como esse, seria "uma má gestão de recursos humanos" desaproveitar os docentes que investiram em multiculturalidade ou em ensino do Português como língua não materna.

José Feliciano Costa, da Fenprof, também criticou a proposta do Governo, considerando que poderá tornar-se "um problema". Lembrou ainda que uma experiência semelhante - a Bolsa de Contratação de Escolas - já foi "chumbada" por um Governo que o atual ministro integrava, como secretário de Estado. Criada em 2014, por Nuno Crato, a bolsa seria abandonada por Tiago Brandão Rodrigues, antecessor de João Costa.

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