Educação

Professores com novo desafio para avaliação no 3.º período

Professores com novo desafio para avaliação no 3.º período

Arranca, esta terça-feira, o terceiro período mais inusitado da história da escola em Portugal. Ensino à distância, aulas pela televisão e avaliação final com critérios mais subjetivos do que até aqui.

Serão cerca de dois meses de aulas, em que a avaliação não foi posta de parte. Mas os dirigentes escolares admitem que serão tidos em conta, além da avaliação contínua, outros aspetos como a assiduidade e a motivação dos alunos. Este último será um dos desafios da nova maneira de aprender e ensinar.

As escolas dizem-se prontas, até porque na pausa letiva da Páscoa estiveram a afinar as melhores formas de chegar aos alunos, mas ainda há muitas incertezas sobre como o ensino se vai concretizar. Ontem, muitos pais tentavam perceber a organização das aulas e como aceder a plataformas informáticas. E os professores ainda não conheciam os conteúdos televisivos.

O Ministério da Educação não definiu critérios de avaliação, mas não afasta a hipótese de o vir a fazer. Aguarda-se a publicação do decreto-lei que vai regular a forma como decorrerá o final deste ano letivo. Na nota explicativa, sobre este ponto, diz-se que a nota final do ano "deve atender ao conhecimento que o professor tem do trabalho realizado por cada aluno ao longo do ano, tendo em conta as circunstâncias específicas".

Na opinião de Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), esta "é a altura certa para o Ministério da Educação ter mais confiança nas escolas, e deixar que cada uma, de forma autónoma e responsável, possa gerir o tempo e a organização de acordo com a sua realidade".

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"Não estou a ver testes escritos, vamos ter uma avaliação muito diferente", adiantou, ao JN, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). O docente garantiu que nenhum aluno será prejudicado pela nova metodologia.

Notas do 2.º período

A recomendação do Conselho das Escolas sobre a suspensão das aulas presenciais defende que as notas do terceiro período não sejam inferiores às do segundo. José Eduardo Lemos, presidente deste organismo, sublinhou que os resultados do segundo período foram a "última avaliação suportada em elementos fiáveis". Mas não afasta a hipótese de "cativar os alunos para melhorarem alguns resultados". Ou seja, permitir que esta última avaliação seja utilizada para melhorar a nota final de ano.

Conteúdos por conhecer

Segundo Manuel Pereira, enquanto os professores não conhecerem os conteúdos do Ensino Básico que serão transmitidos pela RTP, não podem começar a trabalhar com os alunos. As aulas pela televisão, numa espécie de telescola do século XXI, para que todos tenham acesso, começam a ser emitidas na próxima segunda-feira, dia 20 de abril. "Os professores vão ter que preparar os pré e os prós-aulas".

A universalidade do ensino à distância tem sido uma das lacunas que se está a tentar colmatar, apesar de autarquias e outras entidades se estarem a organizar para atribuir computadores e ligação à internet às famílias que não os possuem.

Filinto Lima admitiu que nem todos terão acesso à tecnologia. Nesses casos, explicou, os professores irão contactar por telefone com pais e alunos, para que estes últimos não se "desliguem do processo de aprendizagem". Outro dos desafios será "criar formas de manter os alunos estimulados e agarrados à escola", rematou Manuel Pereira.

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