Clima

Professores podem fazer greve, alunos vão ter falta

Professores podem fazer greve, alunos vão ter falta

A Amnistia Internacional escreveu a mais de três mil escolas a apelar à mobilização contra as alterações climáticas. Há 25 manifestações agendadas para hoje, por todo o país. Professores, funcionários da Saúde e da Segurança Social vão poder fazer greve graças a pré-avisos entregues por sindicatos. Já os alunos terão falta.

O Ministério da Educação (ME) delega na autonomia das escolas a decisão de aceitar ou não a adesão à greve como justificação de falta. O presidente da Associação Nacional de Diretores (ANDAEP) garante que "as escolas não vão impedir os alunos de participar" - a maioria das ações realiza-se à tarde - mas os alunos terão falta se não forem às aulas. Filinto Lima, que admite participar na concentração marcada para a Avenida dos Aliados, Porto, recomenda aos pais para justificarem as faltas.

"As regras são para cumprir", diz Jorge Ascenção, que concorda com o diretor que invoca a segurança dos alunos - a escola seria responsável por um acidente com um aluno fora da aula - para marcar faltas. "Que nos devemos mobilizar todos não tenho dúvidas. Mas também é preciso assumir as consequências das nossas decisões", frisa o presidente da Confederação de Pais (Confap).

Já Mário Nogueira considera que escolas e ME deviam ter em conta a causa. "É um ato cívico os nossos jovens participarem sem serem punidos. E a falta é uma punição", defende o líder da Federação Nacional de Professores, que entregou pré-aviso de greve para os professores que aderirem terem as faltas justificadas. O Sindicato de Todos os Professores (STOP) e o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social (STSSSS) fizeram o mesmo.

"É pela nossa saúde. Não temos outro planeta. É urgentíssimo reduzirmos as emissões de CO2 em 50% até 2030", frisa Joaquim Espírito Santo, coordenador do STSSSS, que também irá à concentração no Porto.

Depois das greves de 15 de março e 24 de maio, os jovens apelaram à união dos adultos para fazerem crescer a "onda" pela sustentabilidade do planeta. "Queremos ter cada vez mais peso. Não queríamos apenas uma greve estudantil", explica Alice Gato, do movimento "Salvar o clima". Mais de 40 organizações nacionais aderiram ao movimento global que nasceu da ação da ativista Greta Thunberg.

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Reivindicações - A declaração de emergência climática, a neutralidade carbónica até 2050, o fecho das centrais termoelétricas de Sines e do Pego, na próxima legislatura, ou o cancelamento de projetos, como o aeroporto do Montijo, que vão aumentar as emissões de gases, são algumas das reivindicações.

Greta defende-se - Greta Thunberg insurgiu-se contra "os fomentadores de ódio". No Facebook, a jovem sueca rebateu ataques de que tem sido alvo. "A ciência não é uma opinião. São factos", frisou.

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