Apelo

Profissionais de saúde precisam de cremes para feridas de rosto e mãos

Profissionais de saúde precisam de cremes para feridas de rosto e mãos

Já todos devem ter visto fotografias de médicos e enfermeiros italianos. As marcas avermelhadas nos rostos, inchados e cansados, são resultado da luta travada nos hospitais contra a Covid-19. É com este exemplo que os profissionais de saúde portugueses estão a apelar à doação de cremes hidratantes, para curar as lesões provocadas pelas máscaras e pela constante lavagem das mãos.

Renata Carvalho é enfermeira no Hospital de Santo António, no Porto, e está na linha da frente do combate contra o novo coronavírus. No serviço que recebe os casos suspeitos de Covid-19, todos os profissionais de saúde estão devidamente apetrechados com os Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) recomendados pela Direção-Geral da Saúde (DGS). No final de um turno longo é a máscara P2, fundamental para evitar a contaminação, que deixa as marcas mais severas, por ser "extremamente apertada" nas zonas do nariz, bochechas e queixo. Depois de 12 horas de trabalho, quase todos saem "marcados". "Para já, nada que um banho quente e muito creme hidratante não resolva", afirma Renata Carvalho ao JN.

A par do rosto, ainda são as mãos as mais sacrificadas. Se a lavagem constante já fazia parte da rotina da enfermeira, agora é ainda mais imperativo. "Não fazemos nada sem desinfetar as mãos antes e depois", garante. Esta realidade é transversal a todos os profissionais de saúde: mãos secas e vermelhas, "queimadas" das soluções de base alcoólica. "As minhas mãos estão uma lástima", atira Ana Rita Araújo. A enfermeira do hospital de Pedro Hispano, em Matosinhos, também pede ajuda e apela para a importância de doses individuais de creme hidratante, mais seguras e práticas para todos. "Assim evitamos que passe de mão em mão, cada embalagem vai diretamente para o lixo", corrobora Rita Couto. A enfermeira do Hospital Francisco Xavier, em Lisboa, deixa outro apelo ainda: "Mais importante do que a desinfeção das mãos, é a lavagem constante!".

Já há marcas a ajudar

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Os pedidos, deixados nas redes sociais, ganharam força com a ajuda de algumas influenciadoras digitais, que pediram às farmácias e hotéis para colaborar. Cátia Abreu, enfermeira no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, confirma ao JN que já foi contactada por diversas empresas, como a Yves Rocher, a Sesderma ou a Soft&Co dispostas a enviar produtos. "Estamos horas e horas com as máscaras muito justas à pele, o que provoca úlceras de pressão e lesões por humidade", esclarece ao JN o porquê da necessidade.

Marcas como O Boticário, Corine de Farme e Uriage já responderam ao apelo e contactaram Filipa Marujo. A interna do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, confessa: "Já quase que não tenho pele nas mãos". A máscara também é "muito difícil de manter". "Estou à procura de película Mepitac porque como tem um adesivo com almofada, ajuda a atenuar as dores e a pressão provocadas no nariz".

Mais do que os cremes hidratantes, a médica afirma que os profissionais de saúde precisam também de outros equipamentos essenciais no combate à Covid-19, como viseiras e máscaras, batas cirúrgicas com punho, estetoscópios e oxímetros.

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