Ensino Superior

Programa de bolsas permitiu a dez ciganos licenciarem-se

Programa de bolsas permitiu a dez ciganos licenciarem-se

Este ano, 39 estudantes recebem apoio financeiro. O número de bolseiros tem vindo sempre a aumentar desde 2016. Taxa de aproveitamento escolar foi de 88% no ano passado.

Há cada vez mais estudantes de etnia cigana a estudar, inclusivamente no Ensino Superior. Hoje há um encontro de bolseiros do Programa Operacional para a Promoção da Educação (OPRE), especificamente dirigido à comunidade cigana, que desde 2016 permitiu a dez alunos licenciarem-se.

"A taxa de aproveitamento escolar no último ano letivo foi de 88%", sublinha Bruno Gonçalves, presidente da associação Letras Nómadas (uma das entidades parceiras do programa juntamente com o Alto Comissariado para as Migrações). O "sucesso" do ano passado permitiu a seis bolseiros concluírem os cursos - três licenciaturas, dois CET (Cursos de Especialização Tecnológica de dois anos) e um mestrado. Ou seja, frisa, o OPRE "está a ter resultados. O que é excelente".

Este ano, de acordo com os dados enviados ao JN pela Secretaria de Estado para a Integração e as Migrações, foram atribuídas 39 bolsas ao abrigo do OPRE (20 a alunas e 19 a alunos) - mais seis do que no ano passado e mais 15 do que em 2016, quando o programa arrancou. O número, aliás, tem vindo sempre a crescer. Em respostas escritas enviadas ao JN, o Governo confirma a intenção de apoiar cada vez mais bolseiros, apesar da Estratégia Nacional de Integração das Comunidades Ciganas apontar como meta para 2021 e 2022 a atribuição de 40 bolsas.

Romper mentalidades

Tendo em conta o número de alunos apoiados pelo programa Roma Educa dirigido a alunos no Secundário, Bruno Gonçalves estima que no próximo ano o número de candidatos ao Superior possa ser "quase 50". "É uma felicidade enorme."

A avaliação ao programa é de tal modo positiva, que o dirigente acredita que daqui a "cinco anos" o OPRE possa já não ser necessário. Isto significaria, explica, que estudar e ingressar no Ensino Superior "se normalize" como objetivo entre a comunidade cigana e, "sendo assim, a medida de discriminação positiva, que deve ser sempre temporária", perde razão de existir.

Os números, insiste, confirmam a tendência de que há no sistema cada vez mais alunos de origem cigana a estudar mais anos. Especialmente alunas e isso "não é romper a tradição, mas, sim, romper mentalidades, pois elas mantém-se na escola com o apoio das famílias".

O programa Roma Educa, lançado no ano passado, abrange "mais de cem alunos" do Secundário. Bruno Gonçalves considera que para o seu alargamento são necessários mais mediadores no terreno, especialmente de etnia cigana.

Entrar em Medicina

Este ano, pela primeira vez, um aluno de etnia cigana ingressou em Medicina. De acordo com a Secretaria de Estado para a Integração e as Migrações, Educação Social e Direito são os cursos mais escolhidos.

68,8% sem retenções

A Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência publicou em 2018 o Perfil Escolar da Comunidade Cigana: em 2017, estavam inscritos no Básico 10 762 alunos e no Secundário 256 e, destes, 68,8% nunca tinham reprovado e 14,5% só tinham uma retenção.

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