Coronavírus

Projetos de voluntariado multiplicam-se para ajudar quem mais precisa

Projetos de voluntariado multiplicam-se para ajudar quem mais precisa

O coronavírus assusta, mas também une e fortalece. Nos últimos dias, jovens de todo o país juntaram-se, em diferentes projetos, com o mesmo propósito: apoiar quem não pode sair de casa e precisa de ajuda.

No meio da incerteza vivida por causa da pandemia de coronavírus, decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), há quem tenha vontade de ajudar e de ser melhor, de unir e confortar. De tornar o tempo útil. Foi assim que surgiu o projeto "Ajudar é contigo", de Sofia Matos, deputada à liderança da Juventude Social-Democrata (JSD). "Como na minha candidatura suspendemos os contactos presenciais na semana passada, ficamos todos em quarentena voluntária e com muita disponibilidade", explica ao JN.

A política corre-lhe nas veias, mas a vontade de ajudar também. Até porque, de acordo com a também deputada do PSD na Assembleia da República, "quem gosta de política, gosta de trabalhar para os outros e de lutar pelos mais frágeis". Os voluntários de "Ajudar é contigo" vão passear o cão do vizinho ou fazer as compras de supermercado ou da farmácia dos mais vulneráveis. "O fim último da nossa ação são as pessoas".

Se a ideia germinou no seio dos apoiantes da candidatura de Sofia Matos a presidente da JSD, horas depois de ter sido criado, o projeto conta já com mais de 150 voluntários. Muitos dos quais não conhecem cores partidárias. "Mais de 70% dos inscritos são alheios à política e aos partidos, não sabemos quem são", assegura Sofia Matos ao JN.

A plataforma lançada hoje permite também que os beneficiários se inscrevam causo necessitem ajuda. Os pedidos poderão ser feitos preenchendo um formulário online ou por telefone, através do número 930522229. Não haverá qualquer tipo de contacto físico ou proximidade. Tudo para cumprir ao máximo as regras de higiene e de segurança recomendadas pelas autoridades de saúde.

"Todos terão os mesmos cuidados que teriam se fossem levar compras a casa dos seus avós!", sublinha Sofia Matos.

Cartazes nos prédios e nas ruas

"É por um bem maior do que nós", afirma Martim Ferreira ao JN. Com apenas 20 anos, o estudante de Lisboa é um dos grandes impulsionadores do projeto "Vizinho Amigo", uma plataforma criada na passada sexta-feira e que soma já mais de 3500 voluntários. Quem são? "Jovens que não conseguem ficar indiferentes ao facto de os idosos correrem riscos devido à Covid-19", pode ler-se na descrição do perfil no Instagram.

A ideia é utilizar cartazes para disponibilizar ajuda aos idosos, com nomes e contactos telefónicos, e amplificar o movimento de Norte a Sul do país. Uma prática replicada de outros países europeus que encontraram no voluntariado um meio para ajudar os outros.

Quem quiser ser voluntário terá que responder a um formulário, onde é questionado a área de atuação onde pretende ajudar (distrito e concelho), se tem alguma doença ou se vive com alguém dentro dos grupos de risco. "Há pessoas que como vivem com os avós não podem ajudar os grupos de risco, mas já se ofereceram para ajudar a colar cartazes ou a trabalhar na parte operacional", explica Martim ao JN.

O projeto tem dias, mas é "preciso agir rápido e com o mínimo de organização". Além dos cartazes espalhados nos prédios e nas ruas, a equipa de "Vizinho Amigo" está a contactar juntas de freguesia que se possam associar ao projeto. "As juntas sabem quem são e quais são as necessidades dos grupos de risco. Nós temos os voluntários", conta o estudante de Finanças e Contabilidade, destacando a parceria já conseguida com a Junta de Freguesia de Benfica, em Lisboa.

"SOS Vizinho" também leva bens essenciais a casa

"No andar, no prédio, no bairro na freguesia. Fazemos chegar bens essenciais a grupos de risco". É a máxima do "SOS Vizinho", outra plataforma de apoio lançada em apenas 48 horas que, de acordo com a sua página online, "juntou até agora mais de 70 especialistas de várias áreas e zonas do país, para organizar uma rede de apoio a grupos de risco que neste momento se devem encontrar em isolamento social".

O "SOS Vizinho" não quer que os grupos de risco saiam das suas casas e estejam mais expostos à propagação do coronavírus. Por isso, vai sinalizar os beneficiários de cada região e criar uma rede de distribuição pelos voluntários. À semelhança do projeto "Ajudar é contigo", o "SOS Vizinho" permite solicitar apoio e tornar-se voluntário.

Para dar resposta a quem não utiliza a Internet, será ainda criada uma linha de apoio telefónico. "O projeto é do conhecimento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e recolheu o apoio da CASES. Mas a expectativa é que se juntem cada vez mais entidades e autoridades públicas, nomeadamente a Santa Casa da Misericórdia", pode ler-se ainda na página do projeto.

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