Manifestação

Jovens e pensionistas juntos na rua contra agravamento do custo de vida

Jovens e pensionistas juntos na rua contra agravamento do custo de vida

Milhares de pessoas juntaram-se este sábado à tarde nas ruas de Lisboa e do Porto numa manifestação nacional convocada pela CGTP-IN em defesa do aumento dos salários e pensões. Isabel Camarinha, líder da central sindical, prometeu mais contestação e exigiu um aumento geral intercalar do salário "ainda este ano" e uma subida de 10% dos vencimentos com "o mínimo de 100 euros" em 2023.

Em Lisboa, entre jovens e idosos, gritou-se por aumentos salariais, a recusa da precariedade laboral, o apelo ao fim da guerra e a crítica ao acordo assinado entre o Governo e os parceiros sociais. Os cartazes pediam ainda o reforço do Serviço Nacional de Saúde e a redução do horário de trabalho semanal para 35 horas.

"Não aceitamos o adiar permanente das respostas que faltam todos os dias, estamos em luta porque a situação que atravessamos exige uma mudança de rumo", afirmou Isabel Camarinha, considerando que o acordo de rendimentos assinado em concertação social, juntamente com a proposta de Orçamento de Estado para 2023, foram "oportunidades desperdiçadas para responder aos problemas, avançar nos direitos e desenvolver o país".
Agostinho Cerqueira, de 74 anos, era o espelho do desalento. Diz que os 450 euros que recebe de reforma dão para comprar cada vez menos porque os preços "são incomportáveis em todo e qualquer lugar".

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"Antigamente era diferente. Podíamos gastar mais dinheiro porque o que tínhamos chegava, agora parece que já não nos valorizam", lamenta. O antigo funcionário de uma gráfica crê que a guerra não pode ser justificação para tudo e não vê com bons olhos o suplemento de 125 euros anunciado pelo Governo.

O descontentamento é generalizado. Manuel Rodrigues tem 70 anos e 44 anos de descontos. Foi eletricista e simplifica a problemática das pensões em Portugal: "na minha idade, ou se tem um bom pé de meia ou então estamos lixados". Por entre cânticos e reivindicações, dizia estar contente por ver "tantos jovens na defesa dos seus direitos" e recordou os tempos em que ele próprio começou a trabalhar: "na minha altura era mais fácil, mais simples. Os jovens hoje em dia têm muitas dificuldades".

Gonçalo Paixão, 21 anos, faz parte da Interjovem, a ala mais jovem da CGTP. Tendo começado recentemente a trabalhar como técnico informático, já tem motivos para sair à rua: vive um "momento de incerteza" depois de lhe ter sido negado um vínculo de trabalho, "sem capacidade de planificação do futuro a curto, médio ou longo prazo".

"As condições que são oferecidas aos jovens não correspondem às nossas necessidades", acrescenta, razão pela qual veem-se obrigados a protestar "por culpa do Governo". A desregulação de horários de trabalho, o aumento substancial do custo de vida e a precariedade laboral estão a "tomar proporções incomportáveis".

Sandra, 32 anos, doutorada em engenharia química desde 2018, mudou-se para a Covilhã para conseguir prosseguir investigação na sua área. Conseguiu um contrato de trabalho, no qual ganha menos do que ganhava antes. Mas, com o fim do contrato a aproximar-se, emigrar parece-lhe a "opção mais viável". "Enquanto profissional da área, sinto que tem havido um grande desinvestimento na investigação em Portugal", entende.

A CGTP reclama ainda um aumento extraordinário do salário mínimo nacional, fixando-o em 800 euros com efeito imediato, o aumento extraordinário de todas as pensões e reformas de modo a repor o poder de compra e assegurar a sua valorização, a fixação de limites máximos nos preços dos bens e serviços essenciais e a aplicação de um imposto que incida sobre os "lucros colossais" das grandes empresas.

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