Homenagem

PS celebra 80 anos de Jorge Sampaio

PS celebra 80 anos de Jorge Sampaio

Jorge Sampaio faz esta quarta-feira 80 anos e o Partido Socialista preparou uma homenagem ao antigo presidente da República.

Militante do PS há mais de quatro décadas, Sampaio ocupou o mais alto cargo do país entre 1996 e 2006, depois de ter sido deputado e presidente da Câmara Municipal de Lisboa. A cerimónia, que terá lugar nos jardins da sede do Largo do Rato, em Lisboa, tem a presença confirmada de Manuel Alegre, Jorge Coelho, Ferro Rodrigues, Vera Jardim, colaboradores da autarquia da capital e funcionários da Casa Civil da Presidência e pretende celebrar a vida de um homem que iniciou o percurso político enquanto opositor do Estado Novo e chegou a chefe de Estado.

O duplo mandato de Jorge Sampaio em Belém ficou marcado pela forma como o então presidente da República lidou com o fim do governo do PSD, em 2004, após Durão Barroso se ter demitido do cargo de primeiro-ministro para assumir a liderança da Comissão Europeia. Na altura, Sampaio foi criticado pela esquerda por indigitar Pedro Santana Lopes como novo chefe do executivo sem convocar eleições, o que ditou a demissão de Ferro Rodrigues da liderança do PS, e recebeu também críticas à direita quando, seis meses depois, optou por dissolver o Parlamento, alegando instabilidade governativa e abrindo caminho ao triunfo de José Sócrates, em 2005. Em 2001, Sampaio já tinha dissolvido a Assembleia uma primeira vez, após o então primeiro-ministro António Guterres ter apresentado a demissão devido a uma pesada derrota do PS nas autárquicas.

No plano internacional, Jorge Sampaio era o presidente da República na altura do referendo para a independência de Timor-Leste e da transferência da soberania de Macau para a China, em 1999 - dois acontecimentos que marcaram o seu duplo mandato e que apenas foram ultrapassados, em termos de impacto no mundo atual, pela cimeira das Lajes, em 2003. Esse encontro entre George W. Bush, Tony Blair, José María Aznar e Durão Barroso na ilha Terceira seria fulcral para o início da guerra do Iraque, o que levou Jorge Sampaio a, mais recentemente, admitir algum mal-estar para com Durão por este lhe ter, alegadamente, comunicado a realização da cimeira em cima da hora.

Contudo, o triunfo nas presidenciais de 1996 - onde sucedeu a Mário Soares - e, depois, novamente em 2001, foi apenas o culminar de um percurso iniciado algumas décadas antes. A relação de Jorge Sampaio com a política começou com a oposição à ditadura, nomeadamente durante a crise académica de 1962, e seria reforçada logo a seguir ao 25 de abril, quando o jovem advogado integrou a lista de fundadores do extinto Movimento de Esquerda Socialista. Militante do PS desde 1978, Sampaio foi ocupando sucessivamente os lugares de deputado, líder parlamentar e secretário-geral do partido, tendo também sido escolhido para integrar o Conselho de Estado. Em 1989 venceu as eleições para a Câmara de Lisboa apoiado por uma espécie de "geringonça" antes do tempo, que incluía PS e PCP, e apenas deixaria o cargo em 1995, para se candidatar à presidência da República e derrotar Cavaco Silva.

A nível internacional ocupou cargos como o de alto-representante da ONU para a Aliança das Civilizações e, em 2015, venceu o Prémio Nelson Mandela, atribuído pelas Nações Unidas pelo seu papel "na luta pela restauração da democracia" em Portugal. Aos 80 anos, Jorge Sampaio continua atento ao mundo contemporâneo e tem-se destacado, nos últimos tempos, à frente da Plataforma Global para Estudantes Sírios, que criou em 2013 e que lhe valeu, no último mês de maio, o prémio humanitário McCall-Pierpaoli, atribuído pela organização Refugees International. Agora chegou a vez de ser homenageado pelo PS e pelo seu discípulo de escritório: António Costa, hoje secretário-geral do PS e primeiro-ministro, fez o estágio de advocacia no escritório de Sampaio.