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Aeroporto de Lisboa

PS garante que todos os partidos serão ouvidos sobre novo aeroporto

PS garante que todos os partidos serão ouvidos sobre novo aeroporto

O PS foi criticado esta quarta-feira, no Parlamento, por apenas debater o novo aeroporto de Lisboa com o PSD, mas assegurou que todos os outros partidos também "podem e devem" participar. Já os sociais-democratas tentaram descolar dos socialistas, cinco dias depois de terem chegado a um consenso com o Governo sobre o modo de escolha do local de construção. António Costa "pode esperar, que PSD não vai governar por ele", garantiu o parlamentar Paulo Rios de Oliveira. De visita ao Porto, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, não esteve presente.

Durante o debate de urgência, requerido pelo Chega, vários partidos responsabilizaram o PS por atrasar ainda mais a construção do aeroporto, uma discussão que já se arrasta há mais de 50 anos. Perante as críticas, o deputado socialista Carlos Pereira aceitou fazer um "ato de contrição".

"Não fizemos tudo bem", reconheceu o parlamentar, embora sem especificar. Ainda assim, garantiu que o seu partido está "empenhado" numa "solução sólida" para o país, "juntamente com o maior partido da Oposição". Carlos Pereira disse também estar convicto de que o Governo fará "tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que este acordo com o PSD dê os seus frutos".

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O parlamentar rejeitou as acusações - transversais a quase todas as bancadas - de que socialistas e sociais-democratas estão a excluir os restantes partidos da discussão. Carlos Pereira referiu que a escolha do local do aeroporto "pode e deve" ter a participação das outras forças políticas, garantindo que "haverá tempo" para todos opinarem.

Se Carlos Pereira procurou vincular o PSD às decisões que o Governo tem tomado sobre o aeroporto, os sociais-democratas tentaram fazer o inverso. Paulo Rios de Oliveira deixou claro que, aconteça o que acontecer daqui para a frente, o PSD não poderá ser responsabilizado. "Uma coisa não faremos: não governaremos pelo Governo", vincou.

O parlamentar laranja negou mesmo que o seu partido tenha feito um acordo com o PS. "O PSD manifestou as suas prioridades. O Governo aceita-as? Óptimo, continuemos; o Governo não aceita? A última decisão, quer aceite quer não, será sempre e só do próprio Governo", referiu, arrancando palmas da sua bancada.

Atraso motiva críticas da Esquerda à Direita

O líder do Chega, André Ventura, não perdeu a oportunidade para acusar PS e PSD de estarem "em conluio absoluto", falando numa "tragédia à portuguesa com cumplicidade dos maiores partidos". A estas palavras, Carlos Pereira responderia que o Chega está com "uma crise de ciúmes" e Rios de Oliveira frisou que o partido de extrema-direita não apresentou "uma ideia que fosse" para o aeroporto.

Ventura também acusou o ministro das Infraestruturas de estar "escondido", por não ter estado presente no debate. Pedro Nuno Santos, recorde-se, esteve no Porto a apresentar o projeto de alta velocidade para as ligações Lisboa-Porto e Porto-Vigo, pelo que coube a Hugo Mendes, secretário de Estado das Infraestruturas, representar o Governo.

João Cotrim Figueiredo, da IL, acusou o PS de estar a "partilhar as responsabilidades de decisão com o PSD, não vá alguma coisa correr mal". O líder dos liberais lamentou também que uma decisão que "tarda há 50 anos" continue a arrastar-se, recordando que o aeroporto "já vai em 71 milhões de euros em estudos".

Paula Santos, do PCP, também criticou o adiamento, acusando PS e PSD de não quererem concretizar a construção do aeroporto em Alcochete apesar de esta já estar tomada "há muito". No entender da líder parlamentar comunista, os dois maiores partidos estão a ser coniventes com os interesses da Vinci, multinacional que detém a ANA.

Joana Mortágua, do BE, defendeu igualmente que o campo de tiro de Alcochete é "a única solução verdadeiramente estudada para o aeroporto de Lisboa". Frisando que o facto de o Governo não ter renovado o estudo de impacto ambiental dessa localização atrasou o processo "em mais de 10 anos". "O que mudou foi que a ANA foi privatizada à Vinci", atirou.

Inês Sousa Real, do PAN, quis saber se a opção Beja "está desconsiderada" na futura avaliação ambiental, defendendo que o Governo deveria privilegiar "os recursos já existentes". Rui Tavares, do Livre, lamentou que o Governo tenha ouvido apenas o PSD e defendeu a concretização de um "plano aeroportuário nacional".

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