Audição

PS quer ouvir setor financeiro no Parlamento

PS quer ouvir setor financeiro no Parlamento

O PS apresentou esta terça-feira, no Parlamento, um pedido de audição a 31 instituições financeiras, entre bancos, seguradoras e reguladores. O objetivo é "monitorizar" o "centro nevrálgico da atividade económica" num contexto de crise pós-pandemia, disse ao JN João Paulo Correia, vice-presidente do grupo parlamentar.

O deputado lembrou que o setor financeiro "tem um papel muito grande na ligação às empresas" e que "a economia só cresce" se este se encontrar "estabilizado e consolidado".

No entanto, João Paulo Correia negou que o pedido de audições signifique que os socialistas estão preocupados com a saúde destas instituições. A iniciativa, afirmou, apenas revela "a preocupação normal" num quadro de uma "crise económica e social decorrente de uma crise sanitária inesperada", e cujas consequências "ainda não são totalmente mensuráveis".

O objetivo, continuou o deputado, é "monitorizar o sistema financeiro, avaliar a sua resiliência e procurar algumas oportunidades para melhorar a regulação e o papel dos supervisores", ao mesmo tempo que se protegem os clientes dos bancos e das seguradoras.

João Paulo Correia reconheceu "a importância" do setor financeiro na "resposta mais urgente" à crise, dizendo acreditar que este se encontra "preparado para dar a resposta adequada ao plano de recuperação económica do país". No entanto, o Parlamento precisa de ter "certezas", acrescentou.

Avaliar o pós-BES, BPN e BANIF

Nas audições, que ocorrerão no âmbito da Comissão de Orçamento e Finanças e ficarão concluídas no último trimestre deste ano, serão ouvidas instituições bancárias como o Santander Totta, o Millenium BCP, a Caixa Geral de Depósitos, o Novo Banco, o EuroBic, o Montepio ou o BPI.

Serão também chamadas entidades como a CMVM, o Fundo de Resolução ou o Banco de Portugal, bem como a Autoridade Nacional de Seguros e Fundos de Pensões, a DECO ou o Banco de Portugal.

João Paulo Correia não quis "antecipar as conclusões" das audições ou do relatório que daí decorrerá, afirmando ser "um pouco prematuro" fazer balanços do comportamento das instituições financeiras no atual contexto de crise.

No entanto, revelou que um outro objetivo destas sessões será "chegar a um nível de monitorização que o Parlamento ainda não fez" no que toca aos "veículos sucedânios dos bancos resolvidos" como o BPN, o BES ou o BANIF.