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PSD e BE com formas opostas de cativar o Centro

PSD e BE com formas opostas de cativar o Centro

Rui Rio e Catarina Martins só têm em comum o facto de disputarem eleitorado que, em 2019, foi do PS. Se dúvidas havia, o debate desta quarta-feira, na SIC, demonstrou que são profundas as divisões ideológicas entre os dois partidos.

O prenúncio foi dado por Rio no início, quando disse que "há uma incompatibilidade completa" entre PSD e BE. Na saúde, onde as clivagens foram mais evidentes, Rio defende "organização e planeamento" do Serviço Nacional de Saúde, chamando os setores privado e social a colaborar: "Não é para privatizar, mas para complementar o que o setor público não tem sido capaz de fazer. Tem de haver vantagem para as duas partes".

Na resposta, Catarina Martins retorquiu que o investimento no SNS "é o melhor" pois este "tem de ser o momento, não de dar negócio aos privados, mas de reforçar", e exemplificou: "Temos um milhão de doentes sem médico de família, a solução não é mandá-los para um consultório privado, a solução é contratar os 600 médicos de família que faltam".

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Para que esse investimento se concretize, ambos concordaram que a economia do país tem de crescer mais. No entanto, divergem na forma. Catarina Martins propõe um modelo de crescimento "com mais salário", lembrando que "não houve nem falências nem desemprego por causa do aumento do salário mínimo" nos últimos anos.

Já Rui Rio, mais confortável no tema económico, opta por "uma economia que aposte do lado da produção, exportações, investimento, mais conhecimento incorporado nos produtos" e, com isso "o salário mínimo vai atrás".

Sustentabilidade da Segurança Social

Quase como ponte para o tema seguinte, do trabalho e Segurança Social, Rio vincou: "O BE quer acabar com os ricos, eu quero acabar com os pobres". Catarina Martins respondeu que foi o PSD que, no Governo, flexibilizou a legislação laboral e "tornou mais baratas as horas extraordinárias".

Para dar sustentabilidade à Segurança Social, o líder do PSD propõe um regime misto, público, com opção de capitalização dos fundos. Catarina Martins lembrou que o "imposto Mortágua", que taxa património imobiliário de luxo, deu à Segurança Social 477 milhões de euros entre 2018 e 2020.

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