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PSD e CDU têm um mar que os separa e um PS que os aproxima

PSD e CDU têm um mar que os separa e um PS que os aproxima

As soluções de governação apresentadas pelo PSD e pela CDU no debate de ontem não podiam ser mais antagónicas. "Há todo um mar que nos separa", disse Rui Rio no início do debate com João Oliveira. Num confronto civilizado e marcado pela diferença entre modelos económicos e sociais, só houve convergência nas críticas ao PS.

Para João Oliveira, representante da CDU (PCP e PEV) em substituição de Jerónimo de Sousa que é operado na quinta-feira,, dar prioridade à descida do IRC, como propõe o PSD, é um erro: "Vai beneficiar sobretudo as grandes empresas. O país precisa do aumento geral dos salários e de um mercado interno dinâmico para as PME". Em sentido oposto, Rio defende que "dirigir a política a quem cria os empregos e paga os salários" é a solução.

O social-democrata puxou do programa da CDU para lembrar que a coligação defende a saída do Euro, da União Europeia e a extinção da NATO, para além de restrições ao capital estrangeiro e a nacionalização dos setores estratégicos. "Só aí é muito para cima de 50 mil milhões. Esse projeto do PCP levaria à ruína económica e salários nivelados pelo mais baixo que pode haver", atirou Rio, para depois corrigir, substituindo "ruína" por "pobreza".

João Oliveira retorquiu, de forma irónica, que uma vantagem do Euro foi permitir "comparar uma bilha de gás que em Espanha custa nove euros e aqui custa 24 ou 26" e acrescentou que foram "as políticas do Euro que levaram ao desmantelamento do tecido produtivo". Sem melhores salários e pensões, disse ainda, "não nos serve de rigorosamente nada ficarmos satisfeitos com o aumento das exportações". Nas pensões, Rio não se compromete com aumentos extraordinários acima da inflação.

Ambos culpam o PS

A discordância ideológica só amenizou quando o debate resvalou para o chumbo do Orçamento que precipitou as eleições. João Oliveira acusou o PS de fazer "tudo para ir a eleições" ao recusar medidas de reforço do SNS. Rio subscreveu, apesar de assegurar que também chumbaria as exigências do PCP: "A culpa é integralmente do Governo. O PCP não pediu nada que não seja da sua história e do seu funcionamento".

No final sobrou só um "bate boca" de meio minuto com passa culpas sobre o chumbo da redução do IVA da eletricidade, uma vez que PCP e PSD chumbaram as propostas um do outro.

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