25 de Abril

PSD faz discurso pelo poder do povo e CDS-PP fala dos "três dês" da dívida, défice e desemprego

PSD faz discurso pelo poder do povo e CDS-PP fala dos "três dês" da dívida, défice e desemprego

O deputado do PSD Aguiar-Branco fez hoje, domingo, um discurso contra o Estado reaccionário e pelo poder do povo, citando Lenine, Rosa Luxemburgo e Sérgio Godinho, o que provocou risos na sessão comemorativa do 25 de Abril.

Por sua vez, o deputado do CDS-PP José Manuel Rodrigues defendeu durante a sessão solene comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República que, se a revolução de 1974 prometia democratizar, descolonizar, desenvolver, os novos "três dês" são "a dívida, o défice e o desemprego".

Escolhido para falar em nome do PSD na sessão solene de hoje, domingo, o ex-líder parlamentar social-democrata José Pedro Aguiar-Branco subiu à tribuna de cravo vermelho ao peito e começou por citar a filósofa e economista marxista Rosa Luxemburgo: "Liberdade apenas para os membros do Governo e para os membros do partido não é liberdade de todo".

"Quase cem anos volvidos, que frase tão actual, tão cheia de verdade", considerou.

Em seguida, o ex-ministro da Justiça sustentou que, 36 anos depois do 25 de Abril, a política portuguesa continua mergulhada "em preconceitos ideológicos", que se revelam nas palavras e atitudes.

"A ala esquerda desta Assembleia parece recear a afirmação do sentido de nação, a ala direita parece temer o sentido do uso do cravo vermelho", apontou, causando os primeiros risos e comentários no hemiciclo.

Na assistência, e ao contrário da maioria da bancada social-democrata, o novo presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, exibia também um cravo vermelho na lapela, assim como o antigo presidente do partido Marcelo Rebelo de Sousa.

Aguiar-Branco defendeu que o cravo não é propriedade de nenhum partido, que a revolução de Abril foi feita para todos e lamentou que o "revanchismo" tivesse chegado à música, perguntando se não pode quem se senta na ala direita gostar de Zeca Afonso.

Citando depois o apelo "dai ao povo o poder de produzir", de Sérgio Godinho, o deputado do PSD defendeu que "este Estado, senhor Presidente da República, é reaccionário, profundamente reaccionário" porque se substitui à "iniciativa privada ou social".

A revisão constitucional defendida pela nova direcção do PSD "é uma oportunidade" para cumprir Abril eliminando "velhos vícios de pensamento". "Vamos dar ao povo o poder de produzir, de escolher e de decidir", concluiu Aguiar-Branco.

Pelo CDS-PP, José Manuel Rodrigues saudou o 25 de Abril como "o dia que pôs fim a um regime autoritário", mas os aplausos da sua bancada ouviram-se quando enalteceu "outro 25, o 25 de Novembro", por "recolocar o processo político no seu desígnio original".

A revisão constitucional foi também defendida pelo deputado do CDS-PP, que prestou homenagem ao voto isolado do seu partido contra a Constituição de 1975.

"Uma boa Constituição não é um programa nem de esquerda, nem de direita. Deve ser, apenas e só, uma Lei Fundamental para todos e de uma só nação, factor de progresso e não de bloqueio", defendeu.

José Manuel Rodrigues dedicou a maior parte do seu discurso à dívida, ao défice e ao desemprego, que apontou como os "três dês" da actualidade.

O desemprego é "o mais alto de sempre", Portugal tem "o maior défice dos últimos 30 anos" e a dívida pública "ultrapassa a totalidade do produto", estando em grande parte "na mão de entidades estrangeiras" e obrigando ao pagamento de juros anuais de "cerca de 5 mil milhões de euros", apontou.

O deputado do CDS-PP acusou o Governo de ter ocultado esta situação e de estar agora a desdizer tudo o que prometeu e acrescentou: "Lá por este Governo não ser capaz, isso não quer dizer que o país não seja capaz" de "transformar as fraquezas em forças, os perigos em desafios e as ameaças em oportunidades".

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