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PSD quer que Costa diga em plenário o que sabia sobre associações de russos

PSD quer que Costa diga em plenário o que sabia sobre associações de russos

O PSD quer que o primeiro-ministro explique no Parlamento, em plenário, "o que fez com a informação" que os serviços de segurança lhe entregaram sobre as atividades das associações de acolhimento de refugiados mantidas por cidadãos russos. O deputado André Coelho Lima não descartou pedir a criação de uma comissão de inquérito, mas só depois de António Costa se explicar. O próximo debate com o chefe do Governo é no dia 22.

André Coelho Lima considerou esta quarta-feira, no Parlamento, que as audições já realizadas sobre o tema "vieram a esclarecer, de modo que consideramos suficiente", que os serviços de informação tinham a atividade das organizações e dos russos alegadamente pró-Kremlin em Setúbal "devidamente monitorizadas".

O parlamentar laranja referiu ter ficado claro que os relatórios dos serviços de informação "chegaram ao gabinete do primeiro-ministro". Dito isto, disse só faltar "fazer uma pergunta: o que é que o primeiro-ministro fez com essa informação?".

Coelho Lima exigiu que Costa se explique no Parlamento, argumentando que o plenário - e não uma comissão de inquérito - é "o local próprio" para que tal aconteça. Isto porque, no hemiciclo, o chefe do Governo terá de intervir de viva voz e ser alvo de "escrutínio", ao passo que, na comissão, poderia optar por responder por escrito.

O deputado afirmou que ainda há "muito por esclarecer" no que toca ao acolhimento de refugiados ucranianos por cidadãos russos, nomeadamente em Setúbal. No entanto, referiu que só depois de o Parlamento ouvir Costa em plenário é que se pode aferir "se é ou não relevante" requerer uma comissão de inquérito, como pretende o Chega. Se sim, "o próprio PSD pondera fazê-lo", vincou.

O JN apurou, junto de fonte parlamentar do PSD, que o partido pretende confrontar Costa com a situação das associações geridas por russos na primeira ocasião possível. O primeiro debate da legislatura sobre política geral, que terá a presença do primeiro-ministro, está marcado para o dia 22 de Junho.

PS: Chega quis antecipar-se a Montenegro

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Pedro Delgado Alves, do PS, referiu que a vontade de o Chega propor uma comissão de inquérito só "nasceu" após o novo líder do PSD, Luís Montenegro, ter manifestado a mesma intenção. O deputado acusou o Chega de ter apenas querido "antecipar-se" aos sociais-democratas; contudo, e embora se tenham distanciado do partido de extrema-direita, as restantes forças políticas consideraram que Costa deve explicar-se, ainda que duvidando da eficácia da comissão de inquérito.

Para André Ventura, do Chega, o primeiro-ministro está a "fugir à responsabilidade" ao não responder a perguntas "que implicavam diretamente este Governo" no acolhimento de refugiados ucranianos. A proposta de criação da comissão de inquérito é votada esta sexta-feira, tendo Ventura revelado que, em caso de chumbo, o seu partido tentará recolher assinaturas para requerer uma comissão obrigatória (que muito dificilmente passará).

Bernardo Blanco, da IL, lembrou que, embora Ventura critique a Rússia, há vários dirigentes e autarcas do Chega a manifestarem apoio a Vladimir Putin nas redes sociais. "Precisava de saber qual é a posição oficial do Chega: a sua ou a que o partido, através dos seus dirigentes, tem tido?". Em resposta, Ventura acusou os liberais de serem "globalistas", escarnecendo por estes terem "poucos autarcas".

Alma Rivera, do PCP, falou pouco depois de Ventura ter assumido que trata os refugiados ucranianos de modo diferente de outros, por não querer "magrebinos" em Portugal. Para a deputada comunista, a "separação de águas" face ao Chega faz-se com "medidas de acolhimento adequadas" a todos os refugiados, garantindo-lhes o acesso aos serviços públicos e combatendo o tráfico humano. O Governo tem atuado com "ligeireza" nestes capítulos, considerou.

Pedro Filipe Soares, do BE, realçou que, "aparentemente", Costa terá sido informado das ações destas associações russas. "Mas não podemos perguntar ao primeiro-ministro porque ele se esconde, ou atrás do regimento ou do segredo de Estado", denunciou. Também acusou Ventura de ter estado "aos abraços e beijinhos" com Marine Le Pen e Matteo Salvini, líderes da extrema-direita europeia próximos de Putin.

Inês Sousa Real, do PAN, frisou a necessidade de se dar o mesmo tratamento a todos os refugiados, independentemente da origem. Rui Tavares, do Livre, expressou o seu "espanto" por ninguém ter mencionado a Convenção de Genebra, que fixa os termos de proteção dos refugiados e que Portugal subscreve.

A ministra dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, anunciou que o número de refugiados ucranianos em Portugal já ascende a 39 mil. Cerca de 3 mil adultos já celebraram contratos de trabalho e 4600 crianças foram integradas no sistema educativa português.

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