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PSD vai abster-se na moção de censura do Chega ao Governo

PSD vai abster-se na moção de censura do Chega ao Governo

O PSD anunciou, esta terça-feira, que a bancada parlamentar vai abster-se na votação da moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, que é discutida quarta-feira e está condenada a ser chumbada por força da maioria absoluta. Tal como o novo líder social-democrata, Luís Montenegro, optou pela abstenção, também a Iniciativa Liberal tinha anunciado de manhã o mesmo sentido de voto. André Ventura havia desafiado o novo líder do PSD a assumir um voto favorável, na sequência das críticas feitas ao Executivo.

"Na sequência da deliberação tomada hoje [terça-feira] pela Comissão Permanente Nacional do PSD, remetida à Direção do Grupo Parlamentar do PSD, informa-se que a bancada do PSD se irá abster na votação da moção de censura que será discutida esta quarta-feira", refere um comunicado enviado ao JN.

O líder do Chega tinha desafiado esta terça-feira o PSD e a IL a votarem a favor da moção de censura ao Governo, destacando, no caso dos sociais-democratas, que só assim seria coerente com a intervenção do novo líder no congresso do fim de semana, desde logo no que toca à não demissão do ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos.

De qualquer modo, também a abstenção ganha relevo numa altura em que o PSD muda de mãos e há um novo presidente do partido a ter em conta na relação com as restantes forças políticas, desde logo com o Chega, que disputa o seu eleitorado mais à Direita.

Esquerdas votam contra

Os partidos da Esquerda vão votar contra, tal como os socialistas, cuja governação é visada nesta moção, e têm garantido o chumbo do documento com a sua maioria absoluta. O JN tentou, a propósito, obter um comentário da direção da bancada do PS que, para já, não quis pronunciar-se.

"Naturalmente que a minha expectativa e a do Chega continua a ser a de que PSD e IL, pelo menos, se juntem à moção de censura", tinha afirmado André Ventura, antes do anúncio dos sociais-democratas e dos liberais. "Sobretudo depois do que ouvimos no congresso do PSD, de críticas reiteradas, mas sobretudo das palavras de Luís Montenegro de que tinha de ser demitido o ministro das Infraestruturas", reforçou, em vão, o líder do Chega.

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IL abstém-se mas demarca-se

"Iremos abster-nos. Há uma grande diferença entre a IL e o Chega, bem patente nesta moção de censura", afirmou, em seguida, Rodrigo Saraiva aos jornalistas, no Parlamento.

Na moção anunciada sexta-feira, o Chega escreve que "estamos perante um Governo sem estratégia e os escassos meses" deste Executivo "foram já prova bastante da sua falta de capacidade e organização". E destaca três casos em que o Governo de António Costa "se tem mostrado incapaz de resolver: caos na saúde; crise nos combustíveis; completa falta de articulação no seio do Governo e desautorização e fragilização extrema de alguns ministros".

Sampaio dissolveu AR "por bem menos"

A propósito da equipa, o Chega diz que a polémica em torno dos aeroportos de Lisboa foi "a gota de água". E, "por bem menos do que esta absoluta confusão institucional, o então presidente da República, Jorge Sampaio, dissolveu a Assembleia da República na XIX legislatura", recordou.

Os deputados do partido liderado por André Ventura referem ainda que, "com alguns episódios inéditos na vida política portuguesa, o país assiste de forma bem mais gravosa à deterioração da credibilidade do primeiro-ministro e do Governo". Condenam igualmente a "total ausência de estratégia para a direção do país e, mais especificamente, para o setor aeroportuário".

Para o Chega, os "responsáveis principais pela situação do país e pelo caos governativo em curso" são a ministra da Saúde, Marta Temido, e o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos. Por isso, alega que "manter a confiança nestas pessoas é ditar o país ao insucesso e inevitavelmente entrar numa crise económica e social profunda".

PCP contra "manobra"

A bancada parlamentar do PCP explicou que vai votar contra, por considerar que o Chega "não propõe soluções" para os problemas do país.

"O Chega utiliza problemas reais, não com o objetivo de dar resposta aos trabalhadores e às populações, mas com projetos e políticas que só contribuem para os agravar. O PCP não contribuirá para essa manobra, por isso, votará contra a moção de censura", explicam os comunistas.

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