Covid-19

Psicóloga envia carta a Marcelo a pedir o fim do tratamento "privilegiado" de certas regiões

Psicóloga envia carta a Marcelo a pedir o fim do tratamento "privilegiado" de certas regiões

Filipa Palha enviou terça-feira uma carta ao Presidente da República, onde pede o fim do "tratamento privilegiado das instituições sediadas em Lisboa" durante a pandemia de Covid-19. "As pessoas estão preocupadas com a distribuição de recursos", diz ao JN.

A carta enviada por Fililpa Palha a Marcelo Rebelo de Sousa, a que o JN teve acesso, parte de uma "preocupação de uma cidadã", como a própria indica, e da constatação de que o equipamento médico e os testes de despistagem à Covid-19 não estão a ser devidamente distribuídos por todo o país. "Acredito que tem sido feito um esforço na divulgação dos números. Porém, a transparência não tem sido aplicada na distribuição de recursos e nas necessidades urgentes em diferentes sítios", afirma ao JN.

Os últimos dados mostram que os lares no Norte e no Centro do país, apesar de registarem as situações mais graves de Covid-19, foram preteridos face às instituições localizadas em Lisboa, no que Filipa Palha chama de "constante tratamento privilegiado". "Urge não discriminar os que, muito provavelmente, voltam a ser vítimas do isolamento geográfico, ou simplesmente de não estar perto dos corredores do poder central", lê-se na carta enviada a Marcelo.

A psicóloga e professora universitária defende que "há locais do país com dificuldades reais que não estão ser atendidas". Filipa Palha usa exemplos concretos. Segundo ela, "foi dada prioridade ao diagnóstico de Covid-19 ao lares de terceira idade por um laboratório de investigação em Lisboa", mas só aos lares na capital, em detrimento dos localizados a Norte. Esta quarta-feira, António Sales, secretário de Estado da Saúde, garantiu que foram enviados 65 mil testes esta semana para esta região.

Ao JN, a responsável pela carta refere a existência de um centro de saúde do Norte, onde o número de máscaras distribuídas não chega para os profissionais de saúde que estão a atender os utentes. "Como portugueses, não podemos ficar indiferentes a estes erros de distribuição", acrescenta. Assim, espera que o Presidente da República intervenha e garanta que esta situação não aconteça mais. "Mais do que em qualquer altura no passado, tem de ser o Presidente de todos os portugueses".

A também fundadora da Encontrar-se, associação para a promoção da saúde mental, acrescenta na carta que o Hospital Curry Cabral, em Lisboa, estava totalmente equipado, ainda antes de ficar dedicado em exclusivo ao tratamento do novo coronavírus. "Eu entendo que uma pessoa que doe um ventilador tenha o direito de dizer para onde quer que ele vá. Mas, como um país, temos de garantir que uma localidade possa ceder a outra que está em défice", diz.

Um caso desta semana apontado por Filipa Palha é o lar da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, onde morreram 15 utentes e perto de 100 pessoas estão infetadas com Covid-19. Os números foram adiantados esta segunda-feira pelo autarca Ribau Esteves, que informou no mesmo dia da impossibilidade de fazer testes à Covid-19 por falta de material. "Não se entende esta demora", defende a psicóloga.

Esta terça-feira chegaram a Aveiro dois mil testes de rastreio prometidos pelo Governo. O material vai permitir testar casos suspeitos de Covid-19 que deem entrada no Hospital de Aveiro, além de idosos e funcionários dos lares da região.

Na carta enviada, e da qual ainda não teve resposta, Filipa Palha termina o apelo, pedindo ao Presidente da República para que não falhe aos portugueses.

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