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Queimódromo é arma de arremesso na campanha

Queimódromo é arma de arremesso na campanha

PSD aponta falta de liderança a Moreira, após PS criticar pressão para abrir centro. PAN não acha necessária resposta adicional e CDU quer melhor SNS.

A polémica em torno do centro de vacinação para a covid-19 no Queimódromo está a dominar a pré-campanha no Porto, desta vez com o candidato do PSD, Vladimiro Feliz, a afirmar que este caso revela "falta de liderança" de Rui Moreira e a acusá-lo de lançar foguetes e deixar as canas para os parceiros. Na véspera, o socialista Tiago Barbosa Ribeiro fez uma crítica diferente, dizendo que o autarca "pressionou" as autoridades para um centro "drive-thru", gerido por um privado.

Após as críticas do PS, que Moreira apelidou de "chicana política" considerando "urgente" reabrir o centro do Queimódromo quando arranca a vacinação dos 12 aos 15 anos, foi a vez do PSD tomar posição. "O presidente da Câmara esteve no lançamento dos foguetes mas, quando foi para apanhar as canas, deixou isso com os restantes parceiros do projeto", disse Vladimiro, o que "inspira muito pouca confiança a quem quer implementar projetos no Porto". Mas concorda que, havendo condições de segurança, o centro deve manter-se. Na véspera, Moreira disse respeitar a decisão da task force, após a administração de vacinas armazenadas fora da temperatura estabelecida, e disse ser urgente abrir quando "salvaguardadas as condições de segurança", a propósito do inquérito em curso.

"Experimentalismos"

"Espero que seja uma lição aprendida para não cairmos mais uma vez em experimentalismos, em tentações propagandísticas, mas em soluções consistentes e acompanhadas dia a dia no terreno por todos os envolvidos e aqueles que deram a cara pelo projeto", lamentou Vladimiro Feliz. A seu ver, houve "uma grave falha técnica", fruto do "experimentalismo, incompetência, má gestão, ineficácia e incapacidade de implementação" de Rui Moreira, que não reagiu a estas críticas.

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Anteontem, Moreira vincou que o problema sucedeu noutros centros de vacinação. E que "este centro não é da Câmara", mas do ACES Porto Ocidental, remetendo para o protocolo entre ARS-Norte e Unilabs. E recordou que esta faz o serviço grátis.

A candidata da CDU, Ilda Figueiredo, disse ao JN ser "fundamental melhorar o Serviço Nacional de Saúde (SNS)" para que "não tenha de recorrer a opções privadas". "Preocupa-me que cerca de mil pessoas não saibam se têm de ser vacinadas de novo", disse. Quer "um SNS mais forte e capaz de dar todas as respostas necessárias". Critica a falta de fiscalização para "assegurar que tudo corresse bem" e "a tentativa de descentralização na Saúde", alertando para as consequências da "desarticulação do SNS". E até pode ser "o SNS a assegurar a vacinação no Queimódromo".

Bebiana Cunha, candidata do PAN, elogiou o papel do centro no rastreio e testagem. Mas a vacinação "não tem condições para se manter". "Se há necessidade de resposta adicional, essa avaliação deve ser feita", mas nota que, segundo o Ministério da Saúde, existe capacidade de resposta. E "não há necessidade de reabrir". "Nada tem a ver com a resposta ser pública ou privada, seria sempre numa lógica complementar", ressalvou. E "poderia ser escolhido outro local", dadas as condições atmosféricas desfavoráveis do Queimódromo.

"Sem confiança"

Gouveia e Melo, que coordena a task force da vacinação para a covid-19, afirmou que o centro do Queimódromo "não tem confiança neste momento para reabrir", após ter sido suspenso o processo na sequência de problemas de refrigeração e aberto um inquérito. Criticou o facto de não ter sido detetada a avaria e de só lhe ter sido comunicada a ocorrência após terem sido administradas doses "durante dia e meio". A task force disse que os utentes alocados ao Queimódromo seriam reencaminhados para o Centro do Regimento de Transmissões.

Fogo cruzado

Após ser acusado por Tiago Barbosa Ribeiro de "passar culpas", Moreira perguntou ao deputado do PS onde estava no dia 26 de junho, quando a Autarquia teve de acionar a proteção civil para apoiar as dezenas de pessoas que se concentravam no exterior do Centro de Transmissões do Exército onde estava a decorrer a vacinação.

Unilabs disponível

A Unilabs garantiu estar à "inteira disposição das autoridades" para reabrir ou encerrar definitivamente o centro de vacinação do Queimódromo. Recorda ter havido uma quebra na cadeia de frio detetada dia 10, ao início da tarde, e que foi reportada nessa altura ao Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Ocidental.

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