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Rangel desafia Marcelo a inspirar-se em Mário Soares na "exigência" ao Governo

Rangel desafia Marcelo a inspirar-se em Mário Soares na "exigência" ao Governo

Paulo Rangel, eurodeputado e escolhido por Luís Montenegro para 1.º vice-presidente do PSD, desafiou este sábado o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa a inspirar-se nos mandatos do antigo presidente Mário Soares na fiscalização ao Governo.

"Eu sempre fui um admirador do dr. Mário Soares como presidente da República o que, vindo do PSD e sabendo das tensões que havia com o professor Cavaco, pode parecer estranho, mas porquê? Porque ele era muito exigente e o Governo do professor Cavaco Silva, que foi tão bom para o país, foi melhor do que seria se não tivesse um presidente que estava sempre a chamar a atenção", disse, em entrevista ao JN/TSF, defendendo que o facto de ter sido "muito duro, ajudou o Governo do PSD".

"Uma oposição bem feita, dura, ajuda o Governo. Os governos governam melhor e as oposições oferecem melhores alternativas", afirmou, sugerindo que Marcelo Rebelo de Sousa se inspire mais em Mário Soares.

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"Se Marcelo Rebelo de Sousa se inspirasse um pouco mais em Mário Soares, não perdia nada com isso, especialmente em conjuntura de maioria absoluta, que é uma conjuntura nova para Marcelo Rebelo de Sousa. Ele até agora trabalhou numa conjuntura totalmente diferente. E num sistema semi-presidencial como o nosso, ou com as características do nosso porque há muitos, muito diferentes, o francês é totalmente diferente, mas o papel do presidente muda muito consoante haja ou não haja maioria absoluta e ela seja de um só partido ou de uma coligação. Isso muda. Portanto, eu acho que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa ainda estará a adaptar-se a esta nova realidade, mas acho que esse grau de exigência é fundamental nesta altura", disse em entrevista.

Para aquele que virá a ser o 1.º vice-presidente do PSD da era Montenegro, Marcelo já foi "muito claro agora na questão do aeroporto ao confrontar o primeiro-ministro com as suas responsabilidades" e "até um pouco cruel" na avaliação das escolhas que o primeiro-ministro faz para os membros do Governo, ao decidir manter no cargo Pedro Nuno Santos, após a polémica em torno do despacho do novo aeroporto.

Para Paulo Rangel, António Costa tem um padrão que é "procurar sempre manter os ministros polémicos", citando os casos de Tancos e dos incêndios de 2017, com a manutenção em funções da ministra Constança Urbano de Sousa, mas que desta vez "o presidente da República subiu a fasquia" e disse que a "responsabilidade" pelo que correr mal é do primeiro-ministro.

"Era minha obrigação"

Sobre o facto de ter aceitado o convite para entrar na Direção do PSD, Paulo Rangel justificou com a situação em que se encontra o país. "Era a minha obrigação, eu não posso dizer não numa altura destas", disse, insistindo que o país atravessa "desafios muito difíceis".

"O país neste momento está numa situação muito difícil, temos uma crise internacional com uma guerra, cim unma inflação crescente. E um governo que, apesar de ter sido eleito com maioria ablosuta, dá sinais de falhas muito, muito graves", disse, mostrando-se preocupado com a questão dos aumetos de preços que se vão "arrastar por vários anos".

"E Governo não esta preocupado com isto. Que medidas é que o Governo tomou?" questiona, apontando à falta de autoridadae do Governo.

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