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Rangel "estranha" data das diretas, Rio fala em "assalto ao poder"

Rangel "estranha" data das diretas, Rio fala em "assalto ao poder"

O eurodeputado Paulo Rangel, que vai candidatar-se à liderança do PSD, diz ser "estranho" que o partido coloque "nas mãos" do primeiro-ministro a escolha da data das eleições internas. O líder, Rui Rio, evita falar de Rangel mas critica "assalto ao poder".

À chegada ao hotel onde decorre o Conselho Nacional do PSD, em Lisboa, Rangel não confirmou explicitamente que é candidato nas diretas. No entanto, o JN sabe que o eurodeputado o vai anunciar durante a reunião.

"As primeiras pessoas que têm de receber, da minha parte, uma satisfação, são os conselheiros nacionais. Vou respeitar até ao momento próprio esse princípio", afirmou o eurodeputado.

Paulo Rangel garantiu estar "totalmente disponível" para aceitar ir a votos em qualquer altura, por não ter "medo nem receio de nenhuma data". No entanto, disse ser "estranho" que Rio tenha anunciado datas e, logo depois, recuado.

"Há uma coisa estranha: que o PSD ponha nas mãos do dr. António Costa o seu próprio calendário interno", argumentou Rangel. "Mais uma vez, o PSD entrega ao dr. António Costa o supremo privilégio de escolher a data em que temos eleições", reforçou.

Na quarta-feira, a direção de Rio propôs que as diretas - cuja data tem de ser aprovada pelo Conselho Nacional - fossem a 4 de dezembro (com eventual segunda volta a 11 desse mês) e que o congresso se realizasse de 14 a 16 de janeiro de 2022.

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No entanto, depois de, no mesmo dia, o presidente da República ter acenado com a hipótese de haver eleições legislativas caso o Orçamento do Estado (OE) seja chumbado, Rio recuou e pediu aos conselheiros que não decidam a data das diretas até que a situação do OE se clarifique. A alteração tem merecido críticas internas, incluindo de deputados.

Rio critica quem se move pelo "interesse pessoal"

Rio, que chegou ao hotel poucos minutos antes de Rangel, fez questão de dizer que não queria debruçar-se "em concreto" sobre a candidatura do eurodeputado.

No entanto, referindo-se às críticas que recebeu devido à questão da data das diretas, apontou a mira aos que, no PSD, "perderam o sentido das coisas" e parecem estar "meios loucos".

"Como se está a ver que o PSD está a subir, e que até pode ganhar as eleições legislativas, há um assalto ao poder por parte daqueles que põem o seu interesse pessoal à frente do interesse do país e do PSD", sustentou Rio.

Críticas "de carácter muito pouco nobre"

Ainda sobre a data das diretas, Rio esclareceu que apenas tinha feito uma "sugestão" para os conselheiros "ponderarem", lamentando ter sido "quase insultado" por alguns companheiros de partido.

"A minha sugestão deu logo, da parte de uma série de pessoas, um conjunto de ataques, alguns até de carácter muito pouco nobre. Lamento profundamente que o partido tenha chegado a este estado", referiu.

Argumentando que, nas autárquicas, o PS conseguiu uma vitória "não aritmética" mas "política", Rio insurgiu-se contra aqueles que, "no espaço de 15 dias", estão "a tentar destruir tudo o que o partido conseguiu em termos de impulso político".

Para o líder laranja, esse "impulso" - consubstanciado pelas vitórias em Lisboa e Coimbra, bem como pelo aumento do número de votos obtidos e de Câmaras conquistadas - poderia deixar o partido mais "preparado" para umas legislativas "que até podem acontecer mais em breve do que se esperava".

"Vi pessoas quase a insultar-me porque eu disse o que qualquer português entende", continuou Rio. "O PSD não pode estar numa disputa interna, sem saber quem é a sua liderança e com as divisões internas que qualquer disputa eleitoral origina e, de repente, a ter de se preparar para legislativas", vincou.

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