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Reações à morte de Mariano Gago

Reações à morte de Mariano Gago

De antifascista a homem da ciência, Mariano Gago é lembrado por várias personalidades, da política e não só.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse ter recebido com profundo pesar a notícia do falecimento de Mariano Gago, que considerou um "académico ilustre" e um "homem que serviu o seu país" em altos cargos de governação.

Numa mensagem enviada à Lusa, Pedro Passos Coelho refere que, "enquanto ministro da Ciência, e mais tarde ministro da Ciência e do Ensino Superior, desempenhou essas funções em quatro governos constitucionais, o que lhe permitiu deixar uma marca significativa na organização do Sistema Científico e Tecnológico Nacional".

Para o chefe do Executivo, que dirige as suas condolências à família enlutada e aos seus colegas e amigos o antigo ministro "teve indubitavelmente um papel pioneiro no desenvolvimento da política de ciência em Portugal e na internacionalização da investigação científica, projetos em que investiu toda a sua experiência e conhecimento".

Paulo Portas, vice-primeiro-ministro, afirmou que, apesar das "discordâncias ideológicas", Mariano Gago era uma pessoa que "respeitava intelectualmente" e que deixou uma "marca" no sistema científico.

"Obviamente, e independentemente das discordâncias ideológicas e das divergências políticas, era uma pessoa que eu respeitava intelectualmente e que deixou uma marca do ponto de vista do sistema científico", afirmou, à margem do Fórum Internacional Comunidades Inteligentes e Sustentáveis, em Braga.

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, destacou Gago como "uma personalidade brilhante, esfuziante", que "representa muito para a ciência em Portugal".

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Em declarações telefónicas à Lusa a partir de Díli, lembrou o antigo titular da pasta da Ciência, que conhecia desde finais da década de 60, como "um homem que dedicou a sua vida ao desenvolvimento, à divulgação e à promoção da ciência em Portugal".

António Costa, secretário-geral do PS, afirmou que a morte de Mariano Gago significa a perda de um resistente contra a ditadura, de um "grande cientista" e de um governante "exemplar" que mudou o paradigma da ciência em Portugal.

Numa declaração na sede nacional do partido, o líder prestou homenagem em seu nome e em nome dos socialistas destacando o antigo ministro, "enquanto dirigente académico, como um resistente na luta contra a ditadura".

"Quero prestar homenagem ao grande cientista, ao visionário que em 1990 publicou uma obra fundamental - 'O manifesto para a ciência em Portugal' - e ao governante exemplar que, em três ocasiões, nos últimos 20 anos, assumiu a pasta da Ciência e do Ensino Superior. Mariano Gago mudou o paradigma da ciência em Portugal", frisou António Costa.

O líder do PS disse ainda que o antigo governante "colocou no centro da ambição política a sociedade do conhecimento e teve uma preocupação incansável com a democratização da cultura científica, designadamente através do lançamento do programa Ciência Viva".

"Portugal perdeu hoje um grande servidor, a ciência perdeu hoje um grande cientista, o PS e eu próprio perdemos hoje um grande amigo", disse ainda o secretário-geral dos socialistas.

Ferro Rodrigues, líder da bancada socialista, declarou à RTP que Mariano Gago sempre foi para si "uma figura de referência".

Ao telefone, o deputado lembrou os tempos em que, enquanto dirigente académico no Instituto Superior Técnico, Gago lutou contra o fascismo e a guerra colonial. "Foi um grande exemplo de capacidade de combater o regime anterior, sem ser com as ortodoxias antigas", acrescentou Ferro Rodrigues, que esteve com Mariano Gago nos dois Governos de António Guterres.

Confessando-se "atordoado" com a notícia da morte do antigo titular da pasta da Ciência e Tecnologia, Ferro Rodrigues classificou-o como "o melhor ministro" dessa área que Portugal teve.

Para Arlindo Oliveira, presidente do Instituto Superior Técnico, a morte de Mariano Gago deixa "um vazio muito grande na ciência".

Em declarações à Lusa, referiu-se ao antigo ministro como uma "pessoa muito inteligente que sempre deu o seu melhor para servir o país". Salientou que era uma personalidade "com uma grande visão, um grande espírito de missão e de serviço da ciência.

Mariano Gago foi professor catedrático do Instituto Superior Técnico, instituição em que se licenciou em Engenharia Eletrotécnica, em 1971.

"Como ministro, teve um papel totalmente definidor do que veio a ser a evolução científica em Portugal", sustentou Arlindo Oliveira. Antigo aluno de Gago, recordou-o como "excelente professor, um grande motivador, uma pessoa muito influente", ao definir a participação de Portugal na investigação internacional na área da física.

"Era uma inspiração, sempre deu o seu melhor para servir o país e a ciência", concluiu.

Maria Manuel Viana, que foi vereadora na Câmara de Castelo Branco, lembrou ao JN o "empenho e a dedicação" que foram fundamentais para tornar Castelo Branco "uma das primeiras cidades a ter as escolas do 1º Ciclo todas ligadas em rede".

No entender da escritora, tal permitiu aos alunos do interior uma outra mundividência que se tornou fundamental para que todas as cidades do país "ficassem muito mais despertas para o desenvolvimento da cultura, da ciência e da educação".

Amiga de Mariano Gago desde o exercício das funções governativas, não deixa de salientar o seu "passado antifascista" e o exílio em Genebra, "que o ligou aos centros de ciência mais importantes da Europa".

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