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Reações à demissão de Soares

Reações à demissão de Soares

Conheça as reações à demissão de João Soares do Ministério da Cultura.

CDS: que venha agora um ministro da Cultura a sério

O CDS considerou, esta sexta-feira, no Parlamento, que era "inevitável" o pedido de demissão do ministro da Cultura, João Soares.

Segundo o deputado centrista António Carlos Monteiro, perante as ameaças do governante socialista a dois críticos, nada mais restava a João Soares.

"Que esta seja uma oportunidade para que o Governo passe a ter um ministro da Cultura", referiu o centrista.

BE: "Demissão correta, no momento certo"

O Bloco de Esquerda considera que a saída de João Soares não fragiliza o Executivo PS, mas que não havia alternativa para o ministro da Cultura após as declarações que produziu no Facebook.

Pedro Filipe Soares, líder parlamentar bloquista, disse, esta sexta-feira, no Parlamento, que se tratou de uma "demissão correta, no momento certo".

"O Governo não ficará fragilizado", sublinhou o deputado do BE, admitindo que "houve palavras ditas que não foram as mais corretas".

PSD: Governo dá-se mal com a crítica

O PSD acusou o Governo de António Costa de não saber reagir às críticas, considerando que o caso do agora ex-ministro João Soares é apenas um exemplo dessa dificuldade.

Para Luís Montenegro, líder parlamentar social-democrata, a saída de Soares do Governo deve-se à "forma como o Governo, a começar pelo primeiro-ministro e passando por outros ministros, se relacionam com a crítica - que vem do exercício da liberdade de expressão - seja de alguns cidadãos, seja de profissionais da comunicação social".

No Parlamento, em reação ao pedido de demissão do ministro e já aceite por António Costa, Montenegro disse também que este caso revela que o Governo "dá mostras de que tem sido difícil a relação entre os seus membros e de que o primeiro-ministro perdeu aqui a sua condição de liderança relativamente a um dos seus elementos".

"A própria alusão do senhor primeiro-ministro [ao aceitar o pedido de demissão] não ao trabalho do dr. João Soares enquanto ministro, mas ao trabalho do dr. João Soares enquanto vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, em 1900 e 'troca ó passo', faz ver bem o nível do relacionamento entre dois membros do Governo", apontou.

O social-democrata foi ainda mais longe e alegou que as ameaças de João Soares no Facebook baseiam-se num comportamento que "tem feito escola", iniciado pelo primeiro-ministro. "[António Costa já] tentou condicionar alguém com um SMS", referiu, aludindo ao caso da mensagem do chefe do Governo enviada a um jornalista do Expresso.

PS: Soares é "assunto encerrado"

O líder parlamentar do PS fechou a porta à polémica causada pela saída do Governo de João Soares. Esta sexta-feira, no Parlamento, Carlos César defendeu que o "assunto está encerrado".

Em poucas palavras, o socialista relativizou o caso e garantiu que não esteve em causa qualquer discórdia política entre o primeiro-ministro e João Soares, motivada pelas declarações do ministro no Facebook.

"O que aconteceu não é decorrência de qualquer evento de natureza política", advogou César, sobre a demissão, ao sair da sessão plenária na Assembleia da República.

PCP: Virar a página e pensar no que se segue

O PCP recusou, esta sexta-feira, comentar os contornos do caso que levaram ao afastamento de João Soares do Governo PS. Para os comunistas, "mais do que o episódio", o importante é "a política cultural que é seguida"

Ana Mesquita, deputada do PCP, disse que, neste momento, o mais importante é saber "qual é vai ser a política que o próximo titular da pasta da Cultura vai seguir".

"Mais do que comentar episódios relativamente àquilo que originou a demissão, o que nos interessa é discutir a política cultural que é seguida", explicou a comunista, após a sessão plenária no Parlamento, frisando a necessidade de "um serviço de Cultura bem financiado".

Refira-se que, ontem, perante o estalar da polémica, o PCP foi a única força política que recusou comentar o assunto de João Soares, com quem chegou a liderar a Câmara Municipal de Lisboa (CML), entre 1995 e 2002, graças a uma acordo entre do PS, PCP e a antiga UDP [partido que deu origem ao Bloco de Esquerda]. Aliás, a saída da UDP viria a provocar o início da rotura daquele Executivo municipal de então.