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Realizados menos 327 mil rastreios de cancro em 2020

Realizados menos 327 mil rastreios de cancro em 2020

A pandemia provocada pela covid-19 trouxe uma quebra no número de convocatórias e rastreios oncológicos realizados em Portugal. Em 2020, segundo os dados apresentados esta sexta-feira pela Direção-Geral de Saúde, fizeram-se menos 327 082 mil rastreios de cancro da mama, colo do útero e do cólon e reto. Diagnóstico precoce regressou aos níveis pré-pandemia em 2021, diz Marta Temido.

De acordo com o divulgado na apresentação dos Resultados dos Rastreios Oncológicos de Base Populacional 2019 e 2020, inserida nas comemorações do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, a pandemia trouxe uma quebra no número de convocatórias e rastreios de cancro da mama, colo do útero e cólon e reto. No entanto, apesar do menor número de convocatórias, a taxa de adesão ao rastreio manteve-se em 2020.

Olhando para os dados do rastreio do cancro da mama, em 2020, foram realizados 168 832 rastreios. Trata-se de menos 164 461 rastreios face a 2019, ano em que se realizaram 333 293 exames. Também no cancro do colo do útero, o número de rastreios realizados caiu para metade, passando de 243 347 em 2019 para 114 714 em 2020. No que toca ao cancro do cólon e reto, o número de rastreios realizados também diminuiu, passando de 122 016 em 2019 para 88 028 em 2020.

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O número de pessoas convidadas a participar nos três rastreios de base populacional também teve uma quebra. No cancro da mama, que engloba um universo de 723 549 mulheres elegíveis entre os 50 e os 69 anos, a taxa de cobertura da população passou de 74% em 2019 para 39% em 2020. Já o cancro do útero, que conta com 583 346 mulheres elegíveis entre os 25 e os 60 anos, registou uma taxa de cobertura de 51% em 2019 e de 22% em 202. Por último, o cancro do cólon e reto, com um universo estimado de mais de 1,4 milhões de pessoas elegíveis, teve uma taxa de cobertura de 15% em 2020, menos 11% face a 2019.

Relativamente aos dados do cancro do colo do útero, Firmino Machado, adjunto da direção do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, referiu serem "valores expectáveis fruto da pandemia de covid-19".

"Entre 2016 e 2019, a proporção de cobertura [de acesso ao rastreio do colo do útero] é razoavelmente estável. Mas, a partir de 2019, temos uma abrupta diminuição da proporção de acesso ao rastreio. Significa que, em 2019, por cada duas mulheres elegívieis para programa de rastreio, uma delas estava a ser convidada. Este valor diminuiu em 2020 e isto deve-se, em grosso modo, à pandemia de covid-19. Este é um programa de rastreio que depende muitísssimo das equipas de família que foram ativamente mobilizadas para o atendimento ao doente respiratório na pandemia, bem como para a vacinação, o que preteriu as atividades preventivas, nomeadamente os programas de rastreio", disse Firmino Machado, durante a apresentação dos Resultados dos Rastreios Oncológicos de Base Populacional 2019 e 2020.

Rastreios voltaram aos níveis pré-pandemia em 2021

De acordo com a ministra da Saúde, o diagnóstico precoce de doentes com cancro voltou em 2021 aos valores obtidos nos anos pré-pandemia. Exemplo disso, apontou Marta Temido, é o rastreio do cancro do cólon e reto. No ano passado, foram rastreados mais cerca de 57 mil pessoas, mais 44% face a 2019. Também o número de cirurgias cresceu 19% face a 2019 e a média do tempo de espera dos doentes inscritos baixou para 34 dias.

"Sabemos bem que a pandemia de covid-19 nos trouxe grandes desafios, sobretudo em 2020, causando disrupção em todos os sistemas de saúde na prevenção da doença, na prestação de cuidados e no acompanhamento de casos mas, graças ao trabalho incansável de centenas de profissionais de saúde, a recuperação tem sido conquistada diariamente", afirmou Marta Temido.

A ministra da Saúde recordou que houve ainda um aumento no número de unidades funcionais que asseguraram os três rastreios de base populacional. "Foi porque unimos esforços que conseguimos estes resultados, porque foi possível manter os institutos de oncologia como hospitais covid free, porque foi possível continuar a investir na aquisição de equipamentos médicos pesados relevantes na área do cancro como os aceleradores lineares, porque foi possível contratar mais profissionais de saúde mesmo que saibamos que a área da oncologia pelo seu elevado desgaste beneficiaria de um regime diferenciado", salientou.

Marta Temido realçou que, na luta contra o cancro, "há muito caminho para continuar a percorrer", como a conclusão e implementação do Plano Nacional de Luta Contra o Cancro alinhado com o plano europeu construído com base em quatro pilares essenciais de abordagem desta doença: "a prevenção, a deteção precoce, o diagnóstico e tratamento e a qualidade de vida de doentes e sobrevivente".

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