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Reclamada natação obrigatória no 1.º Ciclo

Reclamada natação obrigatória no 1.º Ciclo

Nas últimas três semanas, quatro jovens morreram afogados em praias e zonas fluviais mais ou menos improvisadas. O rapaz de 16 anos que saltou para o rio Tejo junto ao Oceanário de Lisboa, na semana passada, não sabia nadar.

E há professores de Educação Física que garantem que há muitas crianças na mesma situação. A Federação Portuguesa de Natação (FPN) defende que devia ser obrigatória a aprendizagem de natação e de atividades aquáticas no 1.º Ciclo.

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Em maio, a FPN reuniu com um grupo de trabalho da comissão de Cultura, Juventude e Desporto da Assembleia da República para propor a criação de um "decreto lei que contemple a obrigatoriedade do módulo de desportos aquáticos no 1.º Ciclo do Ensino Básico".

"Deverá existir uma base de sustentação pedagógica (...) que passe pela atualização do programa de Educação Física, além da proposta de inclusão de um novo programa para o ensino das atividades aquáticas assumido pelo Ministério de Educação, salvaguardando as competências mínimas e a qualidade do ensino", defende a FPN. O Ministério da Educação ainda não foi informado desta iniciativa.

O ensino da natação fica hoje à mercê das condições das escolas, que, por sua vez, estão dependentes das autarquias. No 2.º, 3.º ciclos e Secundário a situação melhora devido ao Desporto Escolar, que pode integrar a natação facultativa. Ainda assim, dados fornecidos pelo Ministério da Educação revelam que não é a prática mais escolhida: está em 5.º lugar (futsal e voleibol lideram a tabela). E é praticada por pouco mais de 14 mil alunos (14 244) de entre os mais de 185 mil inscritos no Desporto Escolar.

A Associação de Professores e Profissionais de Educação Física denuncia que mais de 90 % das escolas de Ensino Básico não têm sequer Educação Física no currículo. "Apesar de estarem obrigadas por lei a lecionar expressão física e motora, a maior parte das escolas do 1.º Ciclo não o faz", diz João Ribeiro, elemento desta associação.

Aprender a salvar-se

Porque devem as escolas ensinar competência aquática e não apenas natação? "Porque o que importa é ter competência para estar em meio aquático e salvamento. Portanto, pretendemos ir além da própria natação", explicou ao JN António José Silva, presidente da FPN.

Até meados do mês, a Federação ficou de entregar aos deputados apoio ao enquadramento legislativo, inspirando-se em modelos de países onde a natação se tornou obrigatória, como é o caso de França, Inglaterra, Holanda, Dinamarca, Noruega, conta António José Silva. A FPN gostaria de poder avançar com um experiência piloto já no próximo ano letivo. Mas reconhece que, para que isto avance, será preciso, entre outros, estabelecer parcerias de cooperação com técnicos certificados. António Silva não põe de parte que este ensino integre um módulo da disciplina de exercício físico, desde que "a competência aquática seja obrigatória".

Num país com 700 quilómetros de costa e repleto de albufeiras e lagos, António José Silva não percebe porque tem sido esta área descurada no ensino das competências. "Tem havido incúria. Não sei como querem promover as atividades aquáticas e marítimas, desenvolver atividades comerciais relacionadas com o oceano, se não apetrecham as pessoas com a aprendizagem do que há de mais básico e elementar".António José Silva diz que há uma forte "iliteracia aquática", embora reconheça que tem havido progressos, muito devido ao interesse dos pais e às atividades das associações e clubes a título privado.

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