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Ordem dos Médicos

Recuperação de atrasos no SNS faz-se com mais dinheiro e autonomia

Recuperação de atrasos no SNS faz-se com mais dinheiro e autonomia

Só há uma forma de recuperar milhões de consultas, milhares de cirurgias e outros tantos milhares de rastreios que, devido ao combate à pandemia covid-19, ficaram por realizar. Com mais investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e dando mais autonomia às unidades, defende Miguel Guimarães.

É isso que acaba de dizer, esta quarta-feira de manhã, na Comissão Parlamentar de Saúde, o bastonário da Ordem dos Médicos. Sendo Miguel Guimarães secundado pelos deputados do PCP e do BE, que nas negociações do Orçamento do Estado (OE) para 2021 têm pugnado por um maior dotação orçamental para a Saúde.

Investimento esse prioritário no capital humano, o "maior problema que existe hoje no SNS", afirmou o bastonário dos Médicos, para quem o OE21 não vem dar resposta. Ciente do reforço em 200 milhões de euros previsto para a Saúde, Miguel Guimarães toma-o insuficiente tendo em conta os atrasos acumulados: "É evidente que precisamos de um investimento mais robusto no SNS, caso contrário vai ser difícil dar resposta". Resposta a todos os doentes não covid que, de facto, diz, ficaram para trás nesta luta pandémica.

Os dados foram revelados pelo JN na edição desta quarta-feira. Até outubro passado, e face a período homólogo do ano passado, Cuidados de Saúde Primários e hospitais estavam a realizar, em média, menos 37 mil consultas presenciais todos os dias. Contam-se ainda menos 112 mil cirurgias, menos 22 milhões de exames e análises realizadas e perto de 120 mil mamografias que terão ficado pelo caminho.

O que obriga, também, e a Lei de Bases da Saúde já o prevê, diz, à contratualização com os setores privados e social. E o que tem sido feito até agora, reconhece Miguel Guimarães, fica aquém do necessário. "Já está a acontecer, mas de forma tímida e esporádica. Não há dúvida que para responder aos doentes covid e não covid precisamos de usar todos os recursos disponíveis no país".

O que implica, por sua vez, defendeu o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, dar mais autonomia às unidades de saúde. Atacando o bastonário diretamente a ministra da Saúde: "As lideranças clínicas revelaram-se positivas no combate à pandemia, porque a liderança central falhou". Daí, sublinhou, a urgência de uma "reforma hospitalar mais ampla", que falta cumprir-se. "Não temos o doente no centro do sistema, o que se faz reforçando a governação clínica dos hospitais e dos Agrupamentos de Centros de Saúde".

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