Segurança

Redes de comunicação resistiram em ano de uso intensivo

Redes de comunicação resistiram em ano de uso intensivo

O número de incidentes de segurança reportados à Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) em 2020, período marcado pela pandemia de covid-19, caiu 20% face a 2019, para 64, valor mais baixo desde 2015, anunciou esta quarta-feira o regulador.

"Em 2020, observou-se uma redução significativa do número total de incidentes de segurança notificados à Anacom pelas empresas de redes e serviços de comunicações eletrónicas: 64 incidentes de segurança, menos 20% do que no ano anterior e o valor mais baixo registado desde 2015", refere o regulador, em comunicado.

"Da totalidade dos incidentes notificados em 2020 conclui-se que 59% foram devidos a falha no fornecimento de bens ou serviços por terceiros, designadamente falhas no fornecimento de energia elétrica ou de avaria em circuitos alugados", salienta a Anacom.

O regulador destaca ainda as ocorrências "devido a acidente ou fenómeno natural, que ascendem a 22% do total dos incidentes reportados; a manutenção ou falha de hardware ou de software, responsáveis por 16% dos incidentes; e os ataques maliciosos que originaram 3% dos incidentes".

O ano 2020 foi marcado pelo início da pandemia de covid-19, revelando-se "atípico em termos de disrupção sanitária e social e foi muito exigente em termos de acesso às tecnologias e à conectividade", salienta a Anacom.

"Num ano em que as redes e serviços de telecomunicações registaram fortes acréscimos de utilização, o número de incidentes ocorridos e a duração média anual do tempo de indisponibilidade de serviço atingiram os valores mais baixos de sempre", acrescenta.

No ano passado, "a maioria das notificações teve impacto em dois ou mais serviços de comunicações eletrónicas acessíveis ao público".

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Segundo as notificações recebidas, "a telefonia fixa foi o serviço mais vezes afetado, com 88% do total de notificações recebidas; seguindo-se a telefonia móvel, com 70%; e a Internet móvel, com 33% do total de notificações".

A Anacom salienta que "durante os últimos seis anos verificou-se que os três serviços mais afetados foram, em ordem decrescente: telefonia fixa (70%), telefonia móvel (57%) e Internet móvel (45%), enquanto a Internet fixa, a TDT e a televisão por subscrição foram serviços afetados em respetivamente 29%, 23% e 20% das notificações recebidas.

O regulador indica que dos 27 incidentes de segurança notificados devido ao impacto sobre o número de assinantes/acessos afetados, "nove foram abrangidos pela obrigação de divulgação ao público pelas empresas Meo, NOS e Nowo/Oni".

Destaca também "o agravamento da situação em 2020 no que concerne aos incidentes que condicionaram os utilizadores de contactarem os centros de chamadas de emergência utilizando o número de emergência 112", com 32 incidentes de segurança notificados no ano passado, ou seja, metade do total "registaram impacto no acesso aos Centros de Atendimento do 112 dos Postos de Atendimento de Segurança Pública (em 2019 esse impacto apenas tinha sido verificado em 31 dos incidentes reportados, ou seja, em 39% do total).

Ainda em 2020, a Anacom reportou à Comissão Europeia e à Agência Europeia para a Segurança das Redes e da Informação (ENISA) "três incidentes de segurança, os quais excederam o limiar de reporte à escala da UE, com base na duração de um incidente e no número relativo de assinantes/acessos afetados (em 2019 este valor foi de oito incidentes de segurança)".

Em 2019, o número de incidentes reportados à Anacom totalizou 80, o que já representava um decréscimo de 29% face aos 113 de 2018.

Em 2017, este número era de 192, mais 83% que em 2016 (105). Em 2015, o número de incidentes reportados ao regulador somava 100.

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