Covid-19

Redução abrupta de anticorpos quatro meses após vacinação

Redução abrupta de anticorpos quatro meses após vacinação

Estudo feito em lares revela que as pessoas que tiveram covid-19 e receberam uma dose de vacina mantém imunidade alta ao longo de mais tempo do que aqueles que foram vacinados com duas doses e não se infetaram.

Uma avaliação serológica realizada em lares de idosos do Alentejo e do Algarve indica que quatro meses após a vacinação completa, a taxa de anticorpos dos utentes desce de 89% (ao terceiro mês) para 48%.

"Observamos que o ponto de viragem nos utentes se dá aos 4 meses, ou seja, esta é a altura em que os utentes têm uma queda acentuada dos seus anticorpos", referem os autores.

O estudo, apresentado esta manhã de quinta-feira em Viseu, foi encomendado pelo Governo e realizado pelo Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve (Algarve Medical Centre) e Fundação Champalimaud.

Participaram no estudo 5174 pessoas, das quais 55,5% utentes e 45,5% funcionários das estruturas residênciais para idosos.

Na segunda quinzena de agosto, os resultados das colheitas de sangue revelaram que há "uma diferença significativa entre a presença de anticorpos em funcionários (78,6%) e utentes (46,2%)".

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"É uma diferença estatisticamente significativa e altamente considerável entre os dois, mas este dado precisava de ser trabalhado de outra forma para se compreender melhor", afirmou Nuno Marques, responsável do estudo do Algarve Biomedical Centre.

Os investigadores concluiram que há "uma diminuição abrupta" dos anticorpos, que se evidencia naqueles que têm mais de 70 anos, tomaram duas doses de vacina e concluiram o esquema vacinal há mais de quatro meses.

Por outro lado, o estudo revela que "as pessoas que tiveram Covid e receberam uma dose de vacina mantêm anticorpos ao longo do tempo".

A evolução da imunidade dos idosos perante a Covid-19 diminui para quase metade ao fim de quatro meses de vacinação. Ao terceiro mês, a taxa de anticorpos é de 89%, mas desce para os 48% no mês seguinte. Mantém-se perto dos 50% até aos seis meses e volta a descer. Aos sete meses, atinge os 32% e aos oito meses 30%.

"Observamos que o ponto de viragem nos utentes se dá aos 4 meses, ou seja, esta é a altura em que os utentes têm uma queda acentuada dos seus anticorpos", referem os autores do estudo.

Uma análise à presença de anticorpos em função da idade, indica que "a partir dos 70 anos de idade há uma diminuição acentuada".

Nos funcionários dos lares a trajetória é diferente. Também perdem alguma proteção aos quatro meses (80% de anticorpos), mas mantém-se estável até aos seis meses, momento em que desce para perto dos 70%.

Não é o primeiro estudo feito em Portugal a revelar a perda de eficácia das vacinas com o tempo. Em agosto, um estudo do Centro Hospitalar Universitário de Universidade de Coimbra, para avaliar a resposta dos profissionais de saúde à vacina contra a covid-19, concluiu que, após três meses, o nível de anticorpos cai para 16% do valor inicial.

Para a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho "fica evidente neste estudo que não podemos baixar a guarda, do ponto de vista de manter as medidas de proteção, naturalmente com uma capacidade de irmos evoluindo, como fomos evoluindo".

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