Covid-19

Região Norte já recebeu 127 ventiladores para tratar doentes infetados

Região Norte já recebeu 127 ventiladores para tratar doentes infetados

Há mais mil máquinas a chegar ao país e os intensivistas serão insuficientes. Formação deverá chegar a outros profissionais.

Os hospitais da Região Norte já receberam 127 ventiladores, entre doações, aquisições e empréstimos. Na última remessa, em que foram distribuídos 144 daqueles equipamentos pelo país, recebeu 48. Mas a estes juntam-se outros 19, que já tinham sido doados aos hospitais de S. João e de Santo António, e ainda 60 ventiladores emprestados por uma empresa.

Os números foram confirmou ao JN pelo presidente da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a Covid-19. Na conferência de Imprensa de ontem, João Gouveia procurou desfazer dúvidas sobre a forma como estes equipamentos têm sido distribuídos pelos hospitais do país, mas os números apresentados não batiam certo.

O responsável esclareceu que os 144 ventiladores distribuídos mais recentemente incluem os 78 que ficaram na Área Metropolitana de Lisboa "por vontade expressa do doador", três comprados pela Câmara de Cascais, e mais 63 (50 doados e 13 adquiridos pela Administração Central do Sistema de Saúde), dos quais 76% foram para o Norte.

A distribuição dos ventiladores pelo país tem vindo a ser criticada nos últimos dias, com várias vozes a apontarem uma alegada vantagem da Região de Lisboa e Vale do Tejo, quando o Norte é a região do país mais afetada pela pandemia.

O presidente da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a Covid-19 voltou a frisar que, salvo os pedidos expressos dos doadores, os ventiladores são "entregues de acordo com critérios", nomeadamente a "efetividade, a segurança e a urgência". Mas ventiladores não bastam para tratar doentes e João Gouveia admitiu, na conferência de Imprensa, que o número de médicos intensivistas pode não ser suficiente para a quantidade de ventiladores que está a chegar a Portugal.

"Podemos chegar a um ponto em que não temos recursos humanos suficientes para os recursos materiais que estamos neste momento a instalar", disse, acrescentando que, à partida, já existe carência de medicina intensiva em Portugal.

Mais mil a chegar

Há três dias, o secretário de Estado da Saúde, António Sales, anunciou que vão chegar mais mil ventiladores, dos quais 500 são esperados esta semana e outros 500 depois da Páscoa.

Ao JN, João Gouveia não quis comprometer-se com datas - porque há variáveis que não se controlam -, mas adiantou que, à exceção do equipamento doado e adquirido, por exemplo, por municípios, os outros ventiladores serão atribuídos segundo os mesmos critérios de efetividade, segurança e urgência.

Sobre a questão dos recursos humanos em Cuidados Intensivos, explicou que há condições para formar outros profissionais para assegurar o tratamento de doentes que necessitem de ventilação invasiva.

Segundo João Gouveia, em Portugal existem mais de 260 médicos especialistas em medicina intensiva. "Podemos não ter, em número individual, médicos suficientes para poder tratar todos os doentes, mas está a ser pensada toda uma estrutura que permite o tratamento adequado desses doentes através do trabalho de outros profissionais, sob responsabilidade dos intensivistas", explicou.