Ano letivo

Regresso do 11.º e 12.º só com mais professores

Regresso do 11.º e 12.º só com mais professores

Diretores admitem que desdobrar turmas para garantir distanciamento requer mais docentes. Uso de máscara obrigatório caso haja regresso à escola.

Só os alunos do 11.º e do 12.º poderão regressar às escolas ainda este ano letivo. O calendário foi prolongado até 26 de junho, os exames e as candidaturas ao Ensino Superior adiados para ganhar tempo no combate à pandemia.

A confirmar-se o retorno, alunos, professores e funcionários terão de usar máscaras cedidas pelo Ministério da Educação e cumprir regras de distanciamento, o que implicará a reorganização das turmas e a contratação de mais professores, garantem diretores e Federação Nacional de Professores.

O primeiro-ministro não fechou a porta. Apesar de sublinhar que "todo o corpo docente" terá de ser aproveitado, o recurso à contratação só acontecerá "se tal se justificar e for necessário". As escolas terão autonomia para decidir como cumprir as regras de distanciamento e a reorganização do serviço docente, bem como a "higienização adequada".

O problema é que o desdobramento de turmas em dois grupos, por exemplo, duplicará o número de turmas, de horários e assim de professores. É que os docentes continuarão com as mesmas turmas do Básico e 10.º ainda que à distância, sublinha Mário Nogueira.

Além disso, o primeiro-ministro anunciou - "e bem", frisa o líder da Fenprof - que professores com mais de 60 anos ou doentes, considerados grupo de risco, não regressarão às aulas presenciais. E são "milhares". Pelo que "o reforço da contratação será inevitável, apesar de analisado caso a caso", garante Nogueira.

Outras soluções de reorganização são a autorização de horas extraordinárias e permitir às escolas completarem horários de professores contratados que os tenham incompletos, explica Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores (ANDAEP).

EXAMES serão ADAPTADOS

"A decisão para o Básico está tomada e é definitiva", frisou o primeiro-ministro. Ou seja, os alunos do 1.º ao 9.º e também do 10.º não terão mais aulas presenciais este ano letivo. As provas de aferição e os exames do 9.º foram suspensos. Para os do 11.º e 12.º, o Governo não definiu uma data-limite para o regresso. O desejo é que seja em maio, mas "se, no pior dos cenários, só pudermos contar com uma ou duas semanas de aulas, nem que seja para se tirar dúvidas, já seria um ganho", defendeu aos jornalistas, após o Conselho de Ministros.

Além do distanciamento, o Governo pretende reduzir o tempo de permanência na escola. "Só haverá aulas presenciais das 22 disciplinas que são sujeitas a exame específico para o acesso ao Ensino Superior, continuando todas as outras disciplinas a ser ministradas à distância", explicou Costa. Significa que os alunos também não terão aulas presenciais, por exemplo, de Educação Física ou Direito.

Os exames já estão feitos. Interpelado sobre se as provas serão alteradas de modo a não incluir matéria não lecionada em aulas presenciais, Costa explicou que essa revisão não é exequível por causa da gestão flexível dos programas. Os alunos terão um número mínimo de perguntas obrigatórias e outras a que podem optar por não responder. "Os alunos vão optar pela matéria que deram", reage Lurdes Figueiral, presidente da Associação de Professores de Matemática.

A maior ameaça à equidade no acesso ao Superior é se não for possível um regresso às aulas, admitem os professores. Costa afastou alterações ao modelo "a meio do jogo". O presidente da Associação de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, considera que, nesse caso, a primeira fase de exames deve ser adiada para setembro.

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