Saúde

Reguladora visa hospitais em casos inauditos

Reguladora visa hospitais em casos inauditos

Um utente teve alta e morreu no dia seguinte com septicemia. Outro foi sujeito a um exame diferente do que tinha marcado. Há também o caso de um doente a quem foi diagnosticado um AVC depois de a médica se recusar a observá-lo, e ainda o de uma mulher operada ao pé errado. Em todos eles, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) apontou falhas aos hospitais em causa.

Teve alta e morreu com septicemia

Eram 18.30 horas quando a utente deu entrada na urgência do Centro Hospitalar do Médio Tejo com sinais de infeção na perna direita. Na triagem, recebeu a pulseira amarela, tendo, por isso, sido observada pelo médico passadas cinco horas. No dia seguinte, porém, viria a falecer com uma septicemia.

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Numa deliberação datada de julho de 2020, a ERS concluiu que os procedimentos daquela unidade de saúde não "foram aptos à garantia dos direitos e interesses legítimos da utente, em especial o direito à prestação de cuidados de saúde de qualidade, em tempo útil e adequados à sua situação clínica".

Nesse sentido, foi emitida uma instrução ao Centro Hospitalar do Médio Tejo, no sentido de "garantir, em permanência, que, na prestação de cuidados de saúde, são respeitados os direitos e interesses legítimos dos utentes, nomeadamente, o direito aos cuidados adequados e tecnicamente mais corretos, os quais devem ser prestados humanamente, com respeito pelo utente, com prontidão e num período de tempo clinicamente aceitável"

Exame "não correspondia ao solicitado"

Uma utente foi sujeita a um "exame completamente diferente" daquele tinha marcado no Hospital CUF Infante Santo, em Lisboa. A meio do processo, e depois de lhe terem sido "espetadas agulhas na cabeça e na coluna", foi-lhe solicitada pela médica responsável a cópia da prescrição do exame. Resultado: o exame "não correspondia ao solicitado".

Na análise da ERS, foram apuradas "algumas insuficiências e fragilidades na atuação" do hospital, no que respeita "à prevenção da ocorrência de erros na realização" do exame, e "na ausência de verificação das prescrições no momento de admissão dos utentes."

"Drogado ou alcoolizado" tinha um AVC

Uma médica da Unidade de Saúde Local de Matosinhos deu alta a um doente com sintomas de dor de cabeça e perda de movimento do lado esquerdo, alegando que estava drogado, segundo as análises realizadas à urina. O utente regressou, mais tarde, à urgência e a mesma médica recusou-se a realizar mais exames pelo facto de ele estar "drogado ou alcoolizado". Posteriormente, foi visto por um neurologista que lhe diagnosticou um AVC.

A Reguladora concluiu que houve falhas no atendimento, não tendo sido assegurada a "proteção dos direitos e interesses legítimos do utente, mormente do direito à proteção da saúde e à continuidade e integração dos cuidados prestados."

Operada ao pé errado

A ERS também deliberou sobre a denúncia de uma mulher que foi sujeita a uma intervenção cirúrgica no Hospital da Prelada, no Porto, para tratar um problema no pé direito, mas que foi operada ao esquerdo. Neste caso, considerou ter havido incumprimento por parte do hospital "nos procedimentos de verificação de segurança cirúrgica", quer no momento da marcação quer no momento da verificação do local cirúrgico, o que "encerra o potencial de produzir um grave impacto na qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados."

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